Apagão de Informação

Greve pode comprometer cobertura das eleições por TVs, Rádios, jornais e sites

Paralisação de jornalistas pode agravar o apagão de informações em regiões isoladas e no exterior

Publicado em 04/10/2024

A greve da categoria pode afetar diretamente a ampla cobertura programada pela Empresa Brasil de Comunicação e ainda deixar regiões isoladas num apagão de informação. O movimento dos jornalistas foi deflagrado na última quinta-feira e segue por tempo indeterminado.

A estatal administra a TV Brasil, o Canal Gov, a televisão internacional pública, assim como as emissoras componentes das Rádios Nacional e MEC. Isso sem contar com a Agência Brasil de notícias e a específica de áudio. Apesar da paralisação, a TV principal tem conseguido manter, sem grandes prejuízos perceptíveis no ar, seus principais telejornais, como as duas edições do Repórter Brasil e o esportivo Stadium.

Nos intervalos as chamadas convidam o telespectador para acompanharem a movimentação eleitoral para prefeitos e vereadores em quase todas as cidades do interior. Destaca também a maratona ao vivo após as 17h com a apuração.

Comprometimento da Cobertura

Prometem entradas ao vivo das 26 capitais através das estações de TV próprias assim como as estações integrantes da Rede Nacional de Comunicação Pública. Se o movimento prejudicar as emissoras diretas da EBC no Rio, SP e Brasília, o conteúdo do desenrolar do pleito e da contagem de votos poderia ser suprido pelo conteúdo enviado pelas afiliadas que não estão em greve.

No entanto, toda a gestão e estrutura para colocar uma atração no ar, como apuração, produção e apresentação, além da equipe técnica e equipamentos para irradiar o sinal só possuem condições de serem feitos operacionalmente pelos centros geradores do Rio e de Brasília, que garantem a cabeça de rede nome técnico para os pontos de irradiação para as emissoras retransmissoras. Porém, são justamente as cidades onde acontecem os movimentos da categoria.

Links ao Vivo

Através de afiliadas, acompanhamento do pleito ao vivo direto dos 26 estados, assim como a alimentação de conteúdo para o jornalístico especial de apuração após as 17h. Nas mídias sociais um vídeo com âncora  Guilherme Portanova, ex-Tv Globo, mostrando os bastidores da gravação do piloto dos especiais de eleições.

Iara Balduíno que divide com ele o comando do telejornal noturno e Luciana Barreto, âncora da edição da tarde, gerada direto dos estúdios carioca, não aparecem nessas chamadas. A primeira não dividiu a apresentação do informativo com Portanova, que conduziu com uma substituta a edição dessa sexta-feira enquanto Barreto, seguiu normalmente com a versão vespertina. A edição Sábado, que é feita em, regime de plantão por parte da reduzida da equipe para garantir a escala de folgas.

A paralização pode prejudicar ainda cobertura de outras estações de rádios, jornais e sites do interior, e canais de TV independentes. Muitos desses veículos são quase que totalmente dependentes do conteúdo informativo gratuito fornecidos pelas Agências de Notícias de Texto/Imagem e pela o material sonoro e de vídeo – pela rede distribuidora.

Além da TV Brasil, a Agência Brasil é uma das maiores fontes de informação para a imprensa regional independente fora dos grandes centros, bem como o envio oficial de material para veículos de comunicação internacionais.

Desertos de Informação

A Rádio Nacional também desempenha um papel fundamental. O movimento pode interromper o acompanhamento histórico da emissora ícone nascida no Rio de Janeiro, desde a década de 40, antes da televisão quase todos os brasileiros acompanhando através desta estação.

As rádios e retransmissoras da Nacional, localizadas na Região Amazônica garantem, para algumas localidades isoladas, o único acesso da população à comunicação. A mobilização ainda pode prejudicar a geração do programa obrigatório, a Voz do Brasil.

Este é o terceiro movimento da categoria desde setembro. As duas primeiras paralisações duraram 48 horas, mas a atual segue por tempo indeterminado. Entre as principais reivindicações estão a isonomia salarial e a manutenção da jornada de trabalho. O movimento está deflagrado na sede administrativa em Brasília, na sucursal de São Paulo e no Rio de Janeiro – um dos maiores centros produtores da TV Brasil e da icônica Rádio Nacional, além de sede das estações do selo Rádio Mec