Pelo andar da carruagem, em breve a direção da TV Brasil deve oferecer uma atração autoral para o influenciador digital Felipe Neto no canal aberto. Afinal, a participação dele registrou a maior audiência da nova fase do clássico programa Sem Censura, comandado por Cissa Guimarães desde fevereiro.
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De olho em nova explosão nos índices, a emissora pública integrante da EBC convida o youtuber para a edição histórica, de número 150, do programa Trilha de Letras, no ar desde 2017. Atualmente a atração é comandada pela jornalista Eliana Alves Cruz, indo ao ar nas quartas-feiras às 23h30.
O convidado especial conversa sobre a sua nova publicação “Como enfrentar o ódio“, livro recém-lançado em que relata seu processo de tomada de consciência política. A obra, que teve uma das maiores pré-vendas já registradas no país, conta a bem-sucedida trajetória do autor, um dos pioneiros do YouTube, suas mudanças de opinião e desenvolvimento crítico.
“Todo esse processo de amadurecimento da minha vida foi público. Então das minhas certezas erradas até os meus maiores erros e amadurecimento, eu fiz isso de uma maneira muito pública e por isso acabei ficando com essa imagem hipócrita, de mudar conforme o jogo porque ninguém quer entender o seu processo. Só os seus resultados. E nisso as pessoas ignoram tudo o que te levou a chegar a um determinado lugar“, explica.
Com direção da jornalista Emília Ferraz, o Trilha de Letras está em sua quarta temporada e busca debater temas atuais da sociedade por meio da literatura. O programa é gravado na BiblioMaison, a biblioteca do Consulado da França no Rio de Janeiro.
O Trilha de Letras está disponível também em formato podcast nas plataformas digitais. Pode ser acompanhado ainda pelo app TV Brasil Play e no canal do YouTube da emissora pública. O programa ainda tem transmissão na Rádio MEC às quartas, 23h.
Literatura como forma de transformação social
Durante o papo, o youtuber recorda suas experiências nas redes sociais, comenta seu projeto do clube do livro, cita iniciativas como o movimento “Cala Boca Já Morreu”, lembra da polêmica com a obra de Machado de Assis e destaca a importância do fomento à leitura na infância.
“A literatura é, na minha concepção, a maior arma de uma sociedade em defesa da democracia e do pacto civilizatório. Não é apenas a intelectual, de livro-reportagem ou biografia, a ficcional e a de fantasia são capazes de transformar uma vida. Transformou a minha. Transforma a de pessoas ao meu redor o tempo inteiro. Quando eu fundei o clube do livro foi para ver essa transformação ser ainda maior“, afirma.
Para Felipe Neto, incentivar a literatura em uma sociedade é estimular que ela seja livre.
“A literatura é, de todas as artes, a única em que você é coautor. A gente viveu isso na rádio. Na literatura, quando você lê um livro, você cria junto com o autor o que está acontecendo ali. A literatura, por trazer essa criatividade, faz você enxergar vários mundos diferentes sob óticas diferentes. Isso traz para a gente empatia, tolerância, calma, paciência“, avalia o influenciador.
Sobre o programa
Desde a sua estreia, o Trilha de Letras já recebeu centenas de autores, editores e personalidades do universo dos livros com propriedade para refletir sobre o mercado editorial no país e no exterior. Entre os premiados nomes nacionais e estrangeiros que participaram da atração da TV Brasil estão ícones da área. Já passaram pelo Trilha de Letras nomes como Antônio Torres, Cacá Diegues, Duca Rachid, Fernanda Torres, Marina Colasanti, Nélida Piñon, Thalita Rebouças, Viviane Mosé, Xico Sá entre outros.
A TV Brasil já exibiu outras três temporadas do Trilha de Letras. As duas primeiras foram apresentadas pelo escritor Raphael Montes e a terceira por Katy Navarro, que ainda continua a frente da versão radiofônica da Rádio Mec.
