Aos 92 anos, Stênio Garcia é um dos mais conhecidos atores brasileiros. Recentemente pudemos acompanhar seu trabalho como Amauri em Corpo a Corpo (1984-1985), de Gilberto Braga, reprisada no Canal VIVA e disponível no Globoplay desde a última segunda-feira (10) para todos os assinantes. Em entrevista à Quem, o artista reclamou da falta de oportunidades para os veteranos como ele.
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Para Stênio, os novos autores que hoje são maioria entre quem cria as novelas não sabem escrever para atores da sua geração. “Os autores novos não sabem mais escrever para as pessoas velhas, mas o Brasil é cheio de idoso. Para um idoso trabalhar, o autor tem que saber escrever para ele. Ouvi o Tarcísio Meira dizer isso e bateu fundo em mim. Os grandes autores morreram ou não estão trabalhando”.
Até aqui, a aparição mais recente de Stênio Garcia em novelas foi uma participação como um Inquisidor em Deus Salve o Rei (2018), de Daniel Adjafre. E, a julgar pelas declarações do ator, não foi um trabalho que renda boas lembranças.
“É muito difícil escolher o trabalho e contracenar com pessoas que não têm ideia do que estão fazendo ali. Não tenho pressa mais, já ganhei todos os prêmios, já fiz tudo. Contracenar com um ator que não olha no olho? Não quero. Me brocha. Quero olhar no olho e entender o que ele está pensando”, disse o artista, que falou também sobre a instabilidade econômica de sua profissão.
“Se o ator não empreende, e depende do audiovisual, que é o que paga melhor, não vive porque não tem constância. Todos os modelos de trabalho são por obra e, de repente, quando o ator é muito bom, são diárias. Não podemos nos deixar leiloar por menos do que valemos”, opinou Stênio sobre o tema.
Ainda sobre a forma diferente de encarar a atuação que atores jovens têm em relação ao que se via antes, Stênio Garcia relembrou um método para apurar a interpretação: “Às vezes fazíamos uma proposta de personagem e escrevíamos uma vida inteira de como ele seria no caderno. Uma vez, interpretando o Aleijadinho, amarrei a mão durante o laboratório para não a usar assim como ele, e me furei por conta do jeito que fiz. Hoje as pessoas não pesquisam mais os personagens”.
Em entrevista recente ao Fantástico na companhia do marido, o ator Mauro Mendonça, a atriz Rosamaria Murtinho também se queixou de não ter oportunidades para artistas de sua idade nas novelas hoje. Segundo ela, se o autor não escreve, não tem como haver papel para os mais velhos. É preciso que os papéis sejam criados para que os veteranos sejam escalados. O que faz total sentido. Rosamaria e Mauro foram homenageados com seus nomes em salas de teatro na Gávea, Rio de Janeiro.
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