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Por que o elenco de Quem Ama Cuida está em estado de graça?

Trabalho de Tel Lenna nos bastidores potencializa atuações de Letícia Colin, Isabel Teixeira e Chay Suede

Publicado em 17/06/2026

Há novelas que dependem apenas da história. Outras, mais raras, dependem do modo como essa história atravessa os corpos dos atores. Quem Ama Cuida pertence ao segundo grupo. A trama das nove da TV Globo, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, tem autor, direção e elenco em diálogo afinado. Mas existe também um trabalho menos visível, silencioso e decisivo, que aparece no olhar, na pausa, na respiração e na verdade de cada cena. É ali que se percebe a força de Tel Lenna, preparador de elenco responsável por dar densidade humana ao melodrama.

O resultado está na tela. Letícia Colin vive Adriana em estado de entrega rara. A personagem poderia ser apenas a mocinha injustiçada, esmagada por uma condenação cruel, mas ganha camadas de dor, dignidade e fúria contida. Nas cenas do julgamento, da prisão e da humilhação pública, Letícia mostra um lado visceral, sem excesso, sem apelo fácil. Ela parece carregar a tragédia no corpo inteiro. É o tipo de atuação que não nasce apenas do talento individual, embora o talento esteja ali em abundância. Nasce também de um processo capaz de organizar emoção, técnica e verdade dramática.

Do outro lado, Isabel Teixeira faz de Pilar uma vilã de presença magnética. Há nela uma atriz que conhece o palco, a escuta e o domínio do gesto. Isabel é cria do teatro, tem a arte no sangue, e isso aparece na maneira como conduz Pilar sem reduzi-la a uma caricatura. A personagem manipula, humilha, calcula e fere, mas nunca parece mecânica. A versatilidade de Isabel encontra, na preparação de Tel Lenna, um terreno fértil para transformar crueldade em acontecimento cênico. Cada entrada sua muda a temperatura da cena.

O mesmo cuidado se espalha pelo elenco. Chay SuedeAntonio FagundesRosi Campos e os demais intérpretes parecem trabalhar dentro de uma mesma pulsação, cada um com sua verdade, mas todos pertencendo ao mesmo universo. As cenas não soam isoladas. Elas conversam entre si. O melodrama, que poderia escorregar para o grito, ganha espessura. A emoção vem forte, mas vem trabalhada. O conflito moral entre Pedro, Arthur e Adriana, as feridas abertas no núcleo familiar, as discussões mais delicadas e os momentos de explosão encontram uma qualidade rara: parecem ensaiados até se tornarem naturais.

Tel Lenna já traz uma trajetória marcada por trabalhos de alta densidade dramática no audiovisual, incluindo projetos como Os Outros e Onde Está Meu Coração, no Globoplay. Em Quem Ama Cuida, seu trabalho confirma a importância do preparador de elenco como artista dos bastidores. Existe o autor, existe a direção, existe o ator. Mas existe também quem ajuda a construir a ponte entre texto e corpo, entre intenção e verdade, entre cena escrita e cena vivida. Nesse casamento, a novela encontra sua potência. Quem Ama Cuida tem atores em estado de auge porque há, por trás deles, um olhar que entende que atuação não é apenas desempenho. É presença, escuta e alma.

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