Há vilãs que chegam fazendo barulho. Outras chegam mudando o ar da sala. A força de uma antagonista nem sempre está no escândalo, na frase venenosa ou no gesto calculado, mas naquela sensação incômoda de que alguma coisa vai desandar assim que ela aparece. Em Quem Ama Cuida, a maldade não entra em cena como enfeite de folhetim: entra como motor dramático.
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Pilar (Isabel Teixeira) é uma dessas personagens que parecem feitas para testar os limites do público. Ela manipula, pressiona, calcula e age como se o mundo inteiro estivesse a serviço de seus interesses. Não há nela uma doçura fácil, uma culpa aparente ou uma tentativa de parecer melhor do que é. Pilar é vilã com V maiúsculo, dessas que a novela brasileira sabe criar quando entende que o público também gosta de sentir raiva com motivo.
O trabalho de Isabel Teixeira está justamente em não transformar essa crueldade em caricatura. A atriz faz cada olhar pesar, cada pausa sugerir ameaça, cada fala carregar a segurança de quem se acha dona da situação. O telespectador acumula ódio por Pilar porque acredita nela. E esse é o grande mérito: a personagem irrita porque parece perigosa de verdade, não porque grita mais alto ou porque força a maldade.
É nessa precisão que a atuação cresce. Isabel faz da vilania uma experiência completa, quase doméstica, dessas que entram pela tela e deixam o sofá desconfortável. Toda novela precisa de alguém capaz de acender o conflito, deslocar a paz e lembrar que a bondade, sozinha, não sustenta um folhetim. Pilar é a mulher que o público ama odiar, e Isabel Teixeira entende esse jogo como poucas. Em Quem Ama Cuida, ela não apenas interpreta uma vilã. Ela dá à maldade uma presença difícil de esquecer.
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