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Brigitte expõe a dor de quem cresceu sem colo em Quem Ama Cuida

Com delicadeza por trás do exagero, Tatá Werneck revela uma personagem marcada pela ausência afetiva de Pilar e transforma a carência em uma das feridas mais humanas da novela

Publicado em 21/06/2026

Há personagens que fazem barulho porque têm medo do silêncio. Brigitte, vivida por Tatá Werneck em Quem Ama Cuida, pertence a esse grupo de figuras que parecem exageradas à primeira vista, mas que escondem uma tristeza muito mais antiga do que qualquer piada. Ela se movimenta demais, fala demais, reage demais, como quem tenta provar o tempo inteiro que existe. Só que, por trás da extravagância, há uma carência quase infantil. Brigitte parece rir alto para não ouvir o próprio vazio.

Filha de Pilar (Isabel Teixeira), ela cresceu ao redor de uma mulher que sabe mandar, controlar, ferir e organizar o mundo conforme seus interesses, mas que não parece saber acolher. Pilar oferece presença física, mas não oferece abrigo. Dá ordens, mas não dá colo. E uma filha que cresce nesse tipo de aridez aprende a transformar afeto em espetáculo, porque não conhece a simplicidade de ser amada sem precisar disputar atenção.

É por isso que Brigitte toca mais fundo do que parece. Sua graça não está apenas no humor, mas na dor que escapa entre uma atitude impulsiva e outra. Tatá Werneck entende essa contradição e evita fazer da personagem apenas uma figura espalhafatosa. Há algo de partido em Brigitte, algo que procura amor onde houver uma fresta. Ela se agarra a sinais, inventa sentidos, amplia pequenos gestos, como quem tenta preencher uma ausência que começou dentro de casa.

Em uma novela marcada por herança, crime, prisão e vingança, Brigitte lembra que existem tragédias silenciosas. Nem toda destruição vem de um golpe, de uma armação ou de uma sentença injusta. Às vezes, a devastação nasce da falta de uma mãe que saiba amar. E talvez seja justamente por isso que a personagem incomode e comova ao mesmo tempo. Brigitte não é apenas excessiva. Ela é uma mulher tentando, de todos os modos possíveis, ser vista por alguém.

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