Voto

Como a TV Cultura dribla a crise para manter sua tradicional cobertura das Eleições

Saiba mais sobre a programação especial da emissora paulista

Publicado em 05/10/2024

Apesar de passar por um dos maiores apertos financeiros de sua história, a TV Cultura de São Paulo garante a sua tradição de cobertura das eleições. Além das limitações orçamentárias a emissora estatal luta pela defesa de sua independência editorial sem influências políticas e ideológicas do atual governo de São Paulo, que é o principal financiador da Fundação Padre Anchieta que administra a estação.

O setor de jornalismo foi poupado até agora das demissões da Cultura que desfalcaram vários setores. Mesmo assim os desafios ficam maiores diante dos parcos recursos financeiros para produção das reportagens, para diversificar seus links ao vivo e para contratações temporárias para reforçar a equipe, usuais para viabilizarem as tarefas extras necessárias para grandes eventos. .

Já o staff técnico e operacional, que também atuam para garantir a infraestrutura para grandes coberturas, sofre com as dispensas recentes. Devido ao déficit orçamentário, foram suspensos oito programas por tempo indeterminado, assim como a continuidade de projetos em andamento que iriam ser apresentados como novidades para 2025 pela emissora paulista que completa 55 anos.

Durante a votação, até mesmo pelas restrições do Tribunal Regional Eleitoral, a opção por restringir a flashs de hora em hora é a estratégia e mais econômica já que mantém a grade de programação normal, atualmente formada, em boa parte, por reprises e atrações gravadas.

De Olho no Voto

Os esforços ficam concentrados no especial De Olho no Voto, que entra no ar após o fechamento das urnas, às 17h acompanhando a apuração, repercussões, entrevistas e análises feitas por convidados. O comando é do jornalista Rodrigo Piscitelli e comentários de Vera Magalhães, âncora do icônico Roda Viva e mediadora do debate promovido pela estação com os principais concorrentes à prefeitura de São Paulo.  

Divulgados pela emissora os comentaristas: Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB; Cláudio Couto, cientista político, professor da FGV EAESP e produtor do canal e podcast Fora da Política Não Há Salvação; Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM; Leonardo Sakamoto, jornalista e doutor em ciência política; Oswaldo Amaral, cientista político e professor da Unicamp; Paula Coradi, presidente nacional do PSOL; Paulo Nicoli Ramirez, cientista político e professor da FESPSP e ESPM; e Rafael Cortez, cientista político da Tendências e professor do IDP-SP.

Limitações

Em relação a movimentação do pleito na cidade de São Paulo, garantir a cobertura é menos complicado devido a proximidade e questões logísticas. No entanto, esbarra em pontos cegos para acompanhar os fatos em outras cidades paulistas, que tradicionalmente contavam com visibilidade maior justamente na TV Cultura diante do pouco espaço aberto nas grandes emissoras comerciais que focam na transmissão em rede nacional.

Como é extenso o território do estado de São Paulo a movimentação eleitoral dos demais municípios tende a ficar restrita a flashs com os boletins oficiais direto da sede do Tribunal Regional Eleitoral, sem aprofundamentos, repercussões ou dados extraoficiais.

Historicamente sempre foi mais complicado para a Cultura garantir uma porcentagem de cobertura nacional. A estação da Fundação Padre Anchieta possui um pequeno número de afiliadas. A maioria é concentrada no próprio estado. Outro dificultador é que boa parte das componentes da rede da Cultura é licenciada apenas como repetidoras de sinal e por isso, com pouca estrutura para geração de conteúdo.

Nas coberturas anteriores, a Cultura era quase que totalmente abastecida de conteúdo nacional pela rede brasileira sediada pela antiga TVE do Rio de Janeiro, hoje transformada em TV Brasil. Acontece que até mesmo esse suporte pode estar comprometido este ano. Os jornalistas da rede federal estão em greve desde a última quinta-feira.