Há retornos que recuperam apenas uma ausência. Outros obrigam todos ao redor a reorganizar o presente. Quem Ama Cuida reserva para sua 2ª fase uma volta capaz de produzir esse segundo efeito. Um homem afastado durante anos reaparece quando a protagonista tenta reconstruir a própria existência depois da prisão. Ele chega trazendo perguntas sobre uma morte ainda cercada por interesses e, sem que nenhum dos dois planeje, abre também uma possibilidade afetiva em uma vida até então dominada pela busca por justiça.
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Heitor (Renato Góes), filho de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), retorna depois de anos dado como desaparecido. Seu objetivo é investigar o que realmente aconteceu com o pai e impedir que os interesses da família Brandão se sobreponham à verdade. É justamente essa busca que o coloca no caminho de Adriana (Leticia Colin). Em liberdade condicional e depois de descobrir que Pedro (Chay Suede) está casado com Bruna (Nanda Marques), ela encontra no recém-chegado alguém que também carrega motivos pessoais para investigar a tragédia que transformou a vida dos dois.
A aproximação começa pela necessidade. Adriana procura justiça pelo que sofreu, enquanto Heitor quer respostas sobre Arthur. Ao trabalharem lado a lado, os dois constroem confiança, respeito e cumplicidade. O vínculo deixa gradualmente de pertencer apenas à investigação e abre espaço para sentimentos inesperados. Para Adriana, a chegada representa uma mudança importante: quando sua vida parecia resumida ao passado que precisava reparar, surge alguém capaz de fazê-la considerar novamente a existência de um futuro.
É aí que o retorno ganha dimensão maior em Quem Ama Cuida. Heitor não entra na história apenas como filho de Arthur ou como nova peça na disputa envolvendo os Brandão. Ele se torna aliado de Adriana e poderá ocupar um espaço sentimental que parecia fechado depois de Pedro. A ironia é especialmente eficiente para o melodrama: enquanto procura respostas sobre um homem morto, Adriana encontra justamente em alguém que todos julgavam perdido uma possibilidade de recomeçar.
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