Há personagens que conquistam o espectador sem precisar disputar o centro da cena. Dora (Mariana Ximenes)encontrou esse lugar em Quem Ama Cuida pela combinação de elegância, sensibilidade e uma dignidade que resiste mesmo quando sua vida afetiva começa a desmoronar. Nos grupos de discussão promovidos pela TV Globo, a personagem recebeu ampla aprovação e passou a despertar uma torcida que ultrapassa qualquer interesse puramente romântico: o público quer vê-la feliz.
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A repercussão positiva contribuiu para ampliar sua presença e fortalecer seu arco na trama. Parte importante dessa identificação está na relação com Ademir (Dan Stulbach) e na expectativa de que Dora consiga romper definitivamente com um casamento marcado por mentiras e atitudes que destruíram sua confiança. Quando decide colocar o marido para fora de casa e recuperar a própria liberdade, a personagem entrega justamente a reação que muitos espectadores aguardavam.
A separação também abre espaço para André (Henrique Barreira), cuja aproximação com Dora despertou interesse e aprovação. A possibilidade de romance acrescenta uma nova camada à história, mas não resume a torcida em torno dela. O desejo predominante é por uma reconstrução que não dependa necessariamente de outro homem. Com André ou sozinha, Dora passa a representar a possibilidade de recomeçar sem negociar a própria dignidade.
O crescimento da personagem ainda aumenta a curiosidade sobre os segredos de seu passado e sobre o destino reservado a ela. Quem Ama Cuida encontra em Dora uma figura que conquistou relevância pela identificação, e não pelo ruído. A pergunta sobre com quem ela terminará permanece, mas outra parece ter se tornado mais importante para quem acompanha sua trajetória: depois de tantas decepções, o público já decidiu que Dora merece chegar ao fim em paz.
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