Há momentos em que o problema de uma novela não está no que o roteiro pretende contar, mas naquilo que a câmera registra ao redor da história. Quem Ama Cuida colocou a Globo diante dessa situação ao associar involuntariamente uma entidade real a uma sequência de forte conteúdo dramático. O que poderia passar como simples elemento de ambientação provocou uma reação institucional e obrigou a emissora a alterar material já exibido e cenas que ainda chegarão ao público.
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A controvérsia surgiu durante a sequência em que Adriana (Leticia Colin) presencia Ademir (Dan Stulbach)assediando Suely (Julia Stockler). Placas com a identificação da Associação dos Advogados de São Paulo, a AASP, apareceram no cenário. A entidade contestou o uso de sua marca naquele contexto e encaminhou uma notificação extrajudicial à Globo. Em manifestação pública, também ressaltou que os acontecimentos apresentados pela ficção não representam seus valores institucionais.
A reação exigiu providências rápidas nos bastidores. Segundo informações da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, o capítulo disponibilizado no Globoplay foi reeditado, e vídeos promocionais nos quais a marca aparecia foram retirados do ar. A produção também passou a utilizar recursos digitais para eliminar referências visuais à associação das sequências previamente gravadas. O conflito envolvendo Suely e Ademir permanece na história, mas passa a ser apresentado sem a identificação que originou a controvérsia.
O episódio é um lembrete particularmente interessante sobre a televisão que busca reproduzir o mundo com aparência de realidade. Uma marca reconhecível pode ajudar a tornar um ambiente mais verossímil, mas traz consigo uma identidade que existe independentemente da dramaturgia. Quem Ama Cuida não precisou modificar o tema central de sua narrativa, e sim a moldura escolhida para apresentá-lo. Num produto de enorme alcance, até uma placa aparentemente secundária pode deixar o fundo da cena, atravessar a ficção e se transformar no principal assunto dos bastidores.
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