Há gente que chega à televisão para apresentar um programa. Maria Beltrão parece chegar para melhorar um pouco o dia de quem está assistindo. À frente do É de Casa, ela ocupa as manhãs de sábado com uma qualidade que anda particularmente preciosa: alegria sem ingenuidade. Maria conhece as notícias, sabe que o mundo está longe de ser um lugar simples e passou décadas olhando profissionalmente para suas crises. Talvez por isso sua leveza tenha tanto valor. Ela não ignora o caos. Apenas se recusa a permitir que ele seja a única coisa que nos defina.
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Foram cerca de 25 anos ligados à GloboNews antes da mudança definitiva para o entretenimento, em 2022. E nada daquela jornalista ficou para trás. Está na curiosidade, na capacidade de ouvir, na pergunta feita no momento certo e, principalmente, na preparação que sustenta um improviso aparentemente espontâneo. Maria sabe muito para conseguir parecer tão leve. É uma apresentadora que estudou a notícia, atravessou grandes coberturas, passou pelo Carnaval e pelo Oscar e descobriu que rigor e diversão nunca precisaram morar em casas separadas.
Mas existe alguma coisa em Maria que currículo nenhum consegue explicar. Ela nasceu com o chip da alegria. Ri com o corpo inteiro, demonstra afeto sem constrangimento, interessa-se genuinamente pelas pessoas e parece incapaz de tratar emoção como fraqueza. Num tempo em que a ironia muitas vezes é confundida com inteligência e a agressividade ganhou espaço demais na conversa pública, Maria escolhe exaltar o amor. Não de maneira açucarada, mas como quem entende que gentileza também pode ser uma posição diante do mundo. Sua espontaneidade não afasta o público. Aproxima. A televisão deixa de parecer uma caixa e ganha alguma coisa de sala de estar.
Talvez esteja aí sua importância neste momento. Aos 54 anos, depois de uma carreira consolidada no jornalismo, Maria Beltrão teve coragem de mudar de caminho sem abandonar quem era. Tornou-se também uma bonita imagem de reinvenção para mulheres que aprenderam, durante muito tempo, que determinadas escolhas precisavam ser feitas cedo e durar para sempre. Maria prova o contrário. Há vida depois da mudança, há descoberta na maturidade e há novos começos quando muita gente acredita que a história já deveria estar escrita. Em um mundo que oferece diariamente razões para perder a esperança, Maria Beltrão aparece aos sábados lembrando que ainda existem motivos para sorrir. Talvez televisão também seja isso: por algumas horas, abrir a janela e deixar entrar um pouco de luz.
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