História da TV

O incêndio que mudou a história e fez uma novela renascer das cinzas

Torre de Babel conseguiu virar o jogo após o incêndio e se tornou um dos maiores sucessos da Globo

Publicado em 22/02/2026

Há exatos 27 anos, a teledramaturgia brasileira presenciava um dos momentos mais drásticos de intervenção em uma obra aberta. A novela Torre de Babel, escrita por Silvio de Abreu, enfrentava uma crise de rejeição sem precedentes em seus primeiros meses. A solução? Um incêndio monumental no Tropical Shopping, que não apenas destruiu o cenário principal, mas serviu como uma “limpeza” narrativa para salvar a audiência do horário nobre da TV Globo.

Lançada com uma proposta sombria e realista, a novela chocou o público conservador da época. Temas como violência doméstica, uso de drogas e, principalmente, o casal lésbico formado por Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer) geraram uma onda de protestos e baixos índices de Ibope. Diante da pressão, Silvio de Abreu tomou a decisão de “implodir” os problemas da trama. No capítulo exibido em janeiro de 1999, uma explosão criminosa no shopping da família Toledo mudou tudo.

O incêndio foi uma ferramenta cirúrgica para eliminar os personagens que o público rejeitava. Entre os escombros, ficaram as trajetórias de Rafaela e Leila, Agenor (Juca de Oliveira) e Guilherme (Marcello Antony), personagem envolvido com drogas.

Após o incêndio, a novela ganhou cores mais vibrantes e um tom de suspense policial. O mistério sobre “Quem explodiu o Tropical Shopping?” cativou o país, elevando a audiência para patamares superiores aos 50 pontos. O foco mudou para a redenção de José Clementino (Tony Ramos) e as vilanias icônicas de Ângela Vidal (Claudia Raia), que se revelaria a grande mente por trás da tragédia no capítulo final.

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