Mais de uma década após sua estreia original, Avenida Brasil volta à programação do Vale a Pena Ver de Novo cercada por um fascínio que parece resistir ao tempo. No centro dessa história, está a personagem de Débora Falabella, que deu vida a Rita — ou Nina —, figura que nunca se encaixou completamente nos rótulos tradicionais. Entre justiça e vingança, sua trajetória ainda provoca questionamentos sobre até onde alguém pode ir para acertar contas com o passado.
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Criada por João Emanuel Carneiro, a trama acompanha o retorno da jovem ao Brasil após anos fora, determinada a confrontar Carminha, interpretada por Adriana Esteves. A vilã, responsável por um golpe devastador na infância da protagonista, se torna alvo de um plano meticulosamente construído — mas que, ao longo da narrativa, revela nuances inesperadas e por vezes desconcertantes.
Segundo Falabella, o grande desafio esteve justamente na complexidade dessa construção. A personagem, movida por um forte desejo de vingança, também carregava traços de humanidade que a afastavam de qualquer definição simples. Em determinados momentos, a linha entre vítima e algoz se tornava quase imperceptível, criando uma inversão de papéis que instigava tanto a atriz quanto o público, muitas vezes levado a enxergar Rita sob uma ótica ambígua.
“A Rita é movida por um espírito de vingança, mas também tem muita humanidade, acredita que o que está fazendo é certo. Em determinado momento da história, esses papéis começam a se inverter, e isso era muito interessante”, recorda ao Gshow. “Ao mesmo tempo, ela era uma protagonista muito diferente do que a gente costuma ver: enquanto a antagonista era solar, expansiva, a Nina era mais soturna, mais contida. E isso foi um grande desafio dentro da novela e também para mim, na construção como atriz”, destaca.
Essa dinâmica também se refletia no contraste entre as protagonistas. Enquanto Carminha surgia expansiva e luminosa, Nina era marcada por uma presença mais contida e sombria — uma escolha que, para Falabella, exigiu um mergulho profundo em emoções menos evidentes. Talvez seja justamente esse jogo de opostos e incertezas que mantém a novela viva na memória coletiva, agora reforçada pela reprise e pela disponibilidade no streaming, renovando o interesse por uma história que ainda guarda mistérios em suas entrelinhas.
“E acho muito bonito que a novela tenha esse legado. Ela segue viva. Agora, com a reprise na TV, acredito que ainda mais pessoas vão voltar pra essa história. Foi realmente um marco na dramaturgia, e é uma novela que merece todo esse reconhecimento”, ressalta a atriz.
Colaborou Laís Seguin
