DESABAFO

Choro nos bastidores? Fernanda Vasconcellos abre o jogo sobre personagem diabólica em Três Graças

Longe das novelas por anos, atriz retornou à TV com trama sobre venda de bebês

Publicado em 25/03/2026

O que acontece quando uma personagem atravessa a linha entre o afeto e o abismo? Foi nesse território instável que Fernanda Vasconcellos mergulhou ao dar vida a Samira em Três Graças, uma chef de cozinha cuja trajetória esconde revelações perturbadoras. Longe das novelas há cerca de dez anos, a atriz retorna em um papel que, aos poucos, parece dissolver qualquer fronteira confortável entre ficção e realidade.

O processo, segundo ela contou à revista Marie Claire, não foi simples. Logo nas primeiras leituras, o impacto emocional era inevitável. As palavras travavam, a angústia surgia sem aviso e o texto ganhava um peso difícil de sustentar. Havia algo na construção de Samira que não permitia distanciamento, ao menos no início. “No começo, fiquei muito mexida. As leituras eram meio doloridas, nunca conseguia pegar o texto sem me emocionar, me embolar ou ficar angustiada“, revelou.

Com o avanço das gravações, no entanto, a atriz encontrou uma forma de se proteger. Separar-se da personagem se tornou uma necessidade. Ainda assim, o corpo reagia: nas primeiras cenas, o desconforto era físico, quase incontrolável. Mãe de um menino de três anos, Fernanda admite que determinadas sequências tocavam em feridas profundas e, em dias mais sensíveis, o choro vinha assim que as câmeras paravam de rodar. “Agora, consigo separar mais a Samira de quem eu sou, porque somos completamente diferentes. Nas primeiras cenas, chegava a ficar enjoada. É muito duro entrar em contato com esse tipo de realidade. Tenho um filho, sei que dor é essa. Tem dias que estou um pouco mais sensível, saio de cena e choro”, desabafou.

Apesar do desconforto, há também um fascínio. Samira não busca simpatia, tampouco entrega respostas fáceis. É nesse jogo ambíguo, entre o que sente e o que esconde, que a atriz encontra seu maior desafio e, talvez, sua redescoberta diante do público. Entre lágrimas no set e risadas no camarim, Fernanda equilibra o peso da história enquanto o público, ainda sem saber exatamente como reagir, observa cada movimento dessa personagem que parece sempre guardar algo a mais.

Colaborou Laís Seguin