Em 2015, o horário das 18h da Rede Globo foi palco de um experimento narrativo sem precedentes. Escrita por Elizabeth Jhin, a novela Além do Tempo, em reprise na Edição Especial, não apenas conquistou o público pela estética e atuações, mas entrou para a história como uma das obras mais inovadoras da teledramaturgia brasileira ao quebrar a linearidade tradicional do gênero.
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O elemento que definiu a inovação da obra foi a sua divisão em duas fases distintas, separadas por um salto temporal de 150 anos. Enquanto outras novelas utilizam passagens de tempo para envelhecer personagens, Além do Tempo promoveu um verdadeiro “reset”. A primeira fase foi um drama de época clássico, ambientado no sul do Brasil, focado no amor proibido entre Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso), cercado por rigidez social e vilania extrema.
Já a segunda fase, se tornou um movimento bastante audacioso da autora, que fez a trama saltar para o século XXI. Os mesmos atores retornaram interpretando os mesmos personagens (com nomes idênticos), mas em novas circunstâncias, classes sociais e laços familiares.
Com isso, a novela desafiou convenções que pareciam imutáveis na TV aberta: no meio do caminho, o público teve que se reapresentar a todos os personagens. Vilões da primeira fase, como a icônica Vitória (Irene Ravache), ressurgiram em posições de vulnerabilidade, testando a empatia do telespectador. Diferente de muitas tramas que perdem o fôlego após a metade, Além do Tempo ganhou uma sobrevida vigorosa. A curiosidade para ver como Lívia e Felipe se reencontrariam no metrô do Rio de Janeiro ou como a vilã Melissa (Paolla Oliveira) reagiria à sua nova realidade manteve os índices de audiência elevados e as redes sociais em polvorosa.
