Cultura e raízes

Phellipe Azevedo: cria da favela, ator se consolida em DNA do Crime, série da Netflix

Artista também filma Os Donos do Jogo e logo deve lançar o documentário Bando A Apresenta o Lado B do Sertão

Publicado em 08/04/2025

Aos 37 anos de idade, Phellipe Azevedo está em duas séries da Netflix e vive uma oportunidade de ouro em sua carreira. Atualmente, ele grava Os Donos do Jogo, está na segunda temporada de DNA do Crime e logo lançará o documentário Bando A Apresenta o Lado B do Sertão, um projeto paralelo ao filme Grande Sertão, dirigido pelo diretor pernambucano Guel Arraes e a diretora Flávia Lacerda.

No Caju, onde cresceu, Phellipe roteirizou, produziu e dirigiu seu primeiro filme, intitulado O Retorno de Ana, juntamente com seus vizinhos. O longa foi inspirado em fatos reais e conta a história de Ana, que acaba de voltar a morar no Caju com sua família e começa a ter sonhos premonitórios e desmaios. Esse projeto serviu como embasamento para o desenvolvimento da sua dissertação de mestrado: “A laje como prática de set e palco suspenso: a construção de um audiovisual nas lajes da Manilha – Caju”.

Foi sócio da CIA Marginal por uma década e co-fundador do Coletivo Arame Farpado, com o qual idealizou e dirigiu o espetáculo Arame Farpado (2017-2022), vencedor do 8º Prêmio Questão de Crítica.

Em 2022, atuou como professor no Centro de Formação Artística de Música, Dança e Teatro de Rio das Ostras e na Escola Sesc de Artes Dramáticas – RJ. Já em 2023, assinou a direção artística da 2ª Semana de Arte Favelada e do Desfile Performático Projeto ZEZABEL, no alto do Morro da Providência.

Está também no elenco das séries A Dona da Banca, de Marton Olympio e Rafael Leal; e Cinema de Enredo, com direção de Luiz Antonio Pilar. É um dos participantes da sala de roteiro chefiada por Ana Pacheco, na adaptação do quadrinho Boa Sorte, de Helena Cunha, para a produção de um longa-metragem.

É morador do Morro da Providência e há sete anos tem uma marca de roupas chamada ‘Recusa’, criada ao lado da esposa, a estilista Renata Alves. O intuito é promover o consumo consciente, fabricação de roupas agênero e unir a moda, audiovisual, favela e sustentabilidade.

Ao longo dos anos, Phellipe Azevedo sempre procurou reforçar suas raízes e nunca deixou de lado projetos sociais para servir como exemplo e referência às pessoas que se identificam com sua trajetória.

“Sou nascido e criado na Manilha, no conjunto de favelas do Caju. É desse território que vem minha base, meu olhar criativo e tudo que me move. Minha trajetória foi atravessada por grupos como o Programa Teatro em Comunidades, Cia Marginal e o Coletivo Arame Farpado, que me ajudaram a expandir minha escuta e criação. Hoje, busco construir projetos no audiovisual que valorizem a potência e singularidade da periferia e suas narrativas, trazendo personagens que expressam a pluralidade e a sensibilidade da periferia”, disse o ator.

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