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Opinião: Isabelle Drummond e o ofício raro de dominar a cena em Coração Acelerado

Na pele da vilã Naiane, atriz retorna às novelas com maturidade, precisão e presença que reorganiza a energia dramática da trama

Publicado em 15/02/2026

Em tempos de atuações aceleradas e emoções sublinhadas em negrito, Isabelle Drummond opta pelo caminho mais difícil: o da precisão. Em Coração Acelerado, sua Naiane Sampaio Amaral poderia ser apenas a influenciadora mimada da vez, caricatura fácil da era do engajamento. Mas Isabelle recusa o atalho. Ela constrói uma vilã de superfície brilhante e miolo estratégico, que pensa antes de agir e age antes de ser descoberta.

A Princesinha do Cerrado não grita para ser notada. Ela ocupa o espaço com cálculo e inteligência, dominando o enquadramento com um olhar sustentado, uma pausa milimétrica, um sorriso que nunca é gratuito. Isabelle compreende que a faixa das sete pede ritmo, mas não abdica de densidade. Sua Naiane é performática, sim, mas jamais rasa. Há método na frivolidade. Há estudo na vaidade.

O reencontro com Leandra Leal — com quem dividiu cena como amiga em Cheias de Charme — adiciona uma camada interessante, quase metalinguística, à composição. Ainda assim, Isabelle não se apoia na memória afetiva do público. Ela apresenta uma antagonista moldada pelo universo sertanejo e pela lógica impiedosa das redes sociais, onde imagem é moeda e silêncio é estratégia.

Após sete anos afastada das novelas, Isabelle retorna com maturidade de quem entende o ofício como vocação. Ela preenche os vazios da narrativa e reorganiza a energia dramática ao redor de si, sem atropelar protagonistas nem disputar holofotes. É presença que se impõe pela técnica, não pelo volume. E, num cenário cada vez mais ruidoso, isso é quase revolucionário.

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