Há casais de novela que a gente aceita porque o roteiro manda. E há casais que parecem acontecer antes mesmo da história terminar de explicá-los. Em Quem Ama Cuida, Letícia Colin e Chay Suede pertencem ao segundo grupo. Eles não precisam anunciar a química, ela simplesmente aparece. Está no jeito como um olha para o outro, na pausa antes da fala, na delicadeza com que Pedro tenta alcançar Adriana mesmo quando tudo ao redor diz que ela já foi arrancada de sua vida.
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Na trama de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Adriana é uma fisioterapeuta condenada injustamente a 12 anos de prisão pela morte de Arthur Brandão. Pedro, advogado e apaixonado, tenta permanecer ao lado dela num momento em que o amor parece quase um ato de desobediência. O primeiro beijo dos dois, em pleno tribunal, depois da sentença, teve essa força rara: não foi apenas cena romântica, foi uma espécie de respiro no meio da tragédia. O público entendeu na hora. As redes sociais reagiram como reagem quando uma novela encontra seu ponto de febre.
Talvez porque Letícia e Chay já tragam uma memória afetiva com o telespectador. Em Segundo Sol, como Rosa e Ícaro, eles já haviam mostrado uma sintonia difícil de fabricar. Agora, em Quem Ama Cuida, essa parceria volta mais madura, menos impulsiva, mais dolorida. Não é o amor de quem tem o mundo pela frente. É o amor de quem sabe que o mundo pode desabar a qualquer momento e, ainda assim, escolhe ficar.
O mais bonito é que os dois não fazem força para serem casal de sucesso. Eles apenas escutam a cena. Letícia Colin entrega uma Adriana ferida, mas jamais apagada. Chay Suede dá a Pedro uma mistura de carisma, devoção e impotência que humaniza o mocinho. Juntos, fazem a tela ganhar temperatura. E quando isso acontece, não há pesquisa, estratégia ou chamada de capítulo que explique sozinha. O público simplesmente reconhece. E torce.
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