Com produção barata baseada apenas em depoimentos e imagens de arquivo, o Globoplay criou um padrão lucrativo para seus documentários. Assim consegue preencher suas prateleiras on demand garantindo quantidade, periodicidade a baixo custo.
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Mesmo se tratando de fatos reais, não consegue desvincular-se da influência dramaturgia da Rede Globo em que os personagens precisam ser encaixados radicalmente nos papeis de vilões ou mocinhos, se afastando da realidade em que características “boas ou más” estão contidas na mesma pessoa, dependendo do quesito, da ocasião e do ponto de vista.
Spin off da Xuxa
É o caso da série Para Sempre Paquitas Na verdade, trata-se de uma espécie de spin off de Xuxa, o Documentário. As duas produções apresentam em comum, um raso aprofundamento, falta de originalidade, produção barata, mas que conseguem grande audiência e repercussão na mídia pelo seu apelo nostálgico.
Em ambos, a influência do modelo dramatúrgico fica evidente ao dividirem seu elenco “da vida real” em “mocinhas” e personificando toda a vilania no mesmo personagem, a diretora Marlene Mattos.
Na série da Xuxa, ela é retratada como a verdadeira mocinha – ingênua e alienada encarcerada e mantida fora da realidade pela “bruxa” Marlene até que, na reviravolta final, consegue se libertar das garras da diretora. Pela narrativa fantasiosa, descolam a apresentadora dos fatos denunciados, como se não tivesse responsabilidade pelo comportamento permissivo e míope.
Paquitas
O roteiro é igualzinho em Pra Sempre Paquitas. O conteúdo é limitado a um muro de lamentações sobre as ações da diretora e total absolvição das responsabilidades de Xuxa. A vilania é totalmente concentrada em Marlene, propositalmente excluindo da história outros importantes responsáveis.
Em tantos anos de “abusos” onde estavam os pais e responsáveis dessas garotas? Dispensadas por idade ou por não atenderem mais os requisitos, nem mesmo após as saídas surgiram denúncias no Ministério Público, do Trabalho, Sindicatos, Conselho Tutelar ou mesmo na imprensa?
E a responsabilidade da TV Globo, onde entra? Não dá para dizer que não souberam de nada num período de mais de uma década do que acontecia em seus estúdios envolvendo seus funcionários, entre eles, menores de idade. É obvio que se enquadra mais em permissividade e conivência do que ignorância dos fatos.
Como em suas dramaturgias, e no próprio Big Brother a Globo escolhe os mocinhos e os vilões de acordo com a sua conveniência. Fica faltando agora, uma outra empresa, isenta de responsabilidades no caso, mostrar o outro lado. Aguardando a série documental sob o ponto de vista de Marlene Mattos pela concorrência.
