Ironia

Última missão de Boninho: especial de Roberto Carlos também perto do fim

Relação desgastada por superpoderes, vaidade e fracassos recentes

Publicado em 14/09/2024

Apesar das inegáveis contribuições ao longo de 40 anos, a despedida de Boninho da Globo não é tão amigável quanto tentam transparecer. Do lado do diretor, insatisfação com as cobranças e a perda de autonomia, entre elas a imposição de Eliana para comandar o The Masked Singer Brasil no lugar de Ivete Sangalo.

Já em relação à Globo, a insatisfação com os seus superpoderes aliados a vaidade e arrogância afloradas recentemente assim como desempenho ruim dos últimos trabalhos. A última missão será a direção do especial de Natal de Roberto Carlos, que, ironicamente, pode também pode se despedir da Globo.

Tragetoria

Filho de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, um dos criadores da Globo e responsável por seu padrão de qualidade, Boninho carrega o DNA da televisão. Começou cedo, passando por várias produções, e foi construindo sua trajetória, galgando oportunidades e imprimindo sua própria identidade e estilo.

Tem como hábito trabalhar sempre com os mesmos profissionais, caracterizados pejorativamente como a “turma do Boninho”. E foi justamente nesse quesito que começaram a transparecer os sinais da perda de influência. Seus colaboradores vinham sendo demitidos nos últimos tempos. Entre eles: André Marques, Bruno de Luca, Márcio Garcia, Otaviano Costa e sua própria esposa, Ana Furtado, entre outros.

Tido como “pau para toda obra”, o diretor era considerado a solução fácil para a implantação de novos projetos ou para colocar nos trilhos programas de medalhões que precisavam de ajustes, como o de Xuxa, o Caldeirão do Huck e o Mais Você de Ana Maria Braga.

Big Boss
Ele é responsável pelo Big Brother Brasil desde a primeira edição, e sua marca pessoal está fortemente impregnada na versão brasileira da franquia. No entanto, a cúpula da empresa está profundamente incomodada com a personalização da imagem do programa em torno do diretor.

Ao contrário do pai, que sempre se manteve nos bastidores, Boninho vem se mostrando cada vez mais seduzido pelos holofotes, a ponto de cada vez mais dar entrevistas e fazer participações em outros programas da emissora. Entre o público do BBB, recebeu o apelido de “Big Boss”.

A voz em off do diretor intervindo no programa passou a ser incluída com destaque nas edições veiculadas. As informações, novidades, mudanças e decisões tomadas por ele estavam sendo anunciadas nas redes sociais pessoais de Boninho antes mesmo da própria Globo ser consultada ou veicular em seus canais oficiais. Esse comportamento resultou em críticas, declarações desastrosas e ruídos de comunicação, ao ponto de ter se tornado público um puxão de orelha recebido.

Carnaval

O ano não começou nada bem para ele. Preocupada com a queda de audiência na transmissão do carnaval, fenômeno que atinge toda a TV aberta, a emissora o escalou novamente como “Salvador da Pátria”. No entanto, dessa vez, não funcionou e entrou para um de seus maiores fracassos.

A falta de familiaridade, a prepotência de não respeitar ou ouvir os sambistas (donos do espetáculo) e a arrogância de achar que iria “reinventar a roda” fizeram com que a transmissão de 2024 fosse considerada a pior da história da Globo, gerando manifestações tanto do público quanto de entidades, como a Federação Nacional dos Jornalistas.

Boninho retirou os tradicionais apresentadores, colocou uma camisa de força na irreverência de Milton Cunha e retirou o maior atrativo da transmissão: os registros das informações, presenças e imprevistos. Ele cortou a experiente equipe de repórteres da casa e os substituiu por influenciadores digitais, totalmente desconhecidos do público da televisão e completamente despreparados, dando a impressão de que nunca tinham sequer ouvido um samba na vida.

Os anunciantes ficaram desapontados ao verem suas marcas associadas a tantas críticas e notícias negativas. Embora de forma velada, já que são parceiros históricos, a Liga das Escolas de Samba manifestou-se junto a Globo contra as desastrosas mudanças.

Na época, as declarações arrogantes do diretor colocaram ainda mais lenha na fogueira, quando ele afirmou em entrevista à Revista Veja: “Eu sou o diretor, estou amando tudo. Não estou nem aí para as críticas”.

Fracassos
O núcleo de reality shows, comandado por ele, vem enfrentando sérios problemas, entre eles o pálido retorno de No Limite e a não renovação dos direitos para o The Voice. Para cobrir essa lacuna, criaram o Estrela da Casa, que peca pela falta de estilo e originalidade, parecendo uma confusa colcha de retalhos reciclados de outros programas do gênero.

A direção da Globo também não aprovou a insistência dele em promover a inexperiente Ana Clara, da nova geração da “turma do Boninho”, como comandante da atração. Não por falta de talento da jovem, que tem grande potencial, mas precisava mais experiência para esse missão. Pelo conjunto da obra , o Estrela da Casa já conquistou o seu lugar na lista dos maiores fracassos.