Em 2020, ao ganhar adaptação para os cinemas em uma produção da Netflix, o livro Era uma Vez um Sonho: A História de uma Família da Classe Operária e da Crise da Sociedade Americana (Hillbilly Elegy: A Memoir of a Family and Culture in Crisis, no original) foi alvo de uma corrida o mundo editorial pelos direitos para a edição em português e, em paralelo, para uma possível adaptação para os palcos.
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Durante a pandemia de Covid-19, o projeto perdeu força e a adaptação, que poderia chegar aos palcos tão logo o período de distanciamento social arrefecesse, caiu no esquecimento. Com o anúncio de que J.D. Vance, autor do livro, foi escolhido como candidato a vice na chapa em que disputa o republicano Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, o projeto voltou a ganhar fôlego.
Ao menos dois produtores saíram em busca dos direitos para adaptação, ainda que não haja garantia de que a produção vá mesmo acontecer, uma vez que, também graças ao holofote da indicação, os direitos mudaram de patamar, e encareceram em comparação a 2020, mesmo com a exposição dada pelo filme da Netflix.
Era uma Vez um Sonho tem como foco as memórias de J.D. Vance, então um advogado que nasceu e cresceu no estado de Ohio e se tornou figura proeminente apesar da história familiar. Abandonado pelo pai e criado por uma mãe viciada em medicamentos, Vance contou com a ajuda da avó para conseguir estudar e entrar em Yale, uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos.
Além de narrar sua história de vida, Vance também propõe uma análise social de uma sociedade própria, a dos “hillbilly”, grupo de pessoas que sempre trabalhou em serviços braçais e que não acompanhou todas as grandes mudanças digitais, sendo excluídos do mercado de trabalho e precisando viver em subempregos e contando com a ajuda de serviços sociais do governo.
O livro traça panoramas críticos sobre os governos de Bill Clinton (1993-2001), George W. Bush (2001-2009) e Barack Obama (2009-2017), o que os críticos e analistas políticos dos Estados Unidos acreditam ser uma linha de interpretação para explicar a vitória de Donald Trump em 2016 para seu primeiro mandato presidencial, batendo a então favorita Hillary Clinton.
A adaptação para os cinemas abocanhou duas indicações ao Oscar: melhor visagismo e atriz coadjuvante para Glenn Close, sem ter vencido nenhuma.
