Justiceiro

Filme “pesadão” da Marvel chega à Netflix

Filme não fez tanto sucesso quando foi lançado nos cinemas

Publicado em 19/02/2025

Lançado em uma época de transição para o cinema de super-heróis, O Justiceiro: Em Zona de Guerra subverte expectativas ao transformar a brutalidade em espetáculo. Dirigido por Lexi Alexander, o longa ignora qualquer sutileza narrativa e mergulha em uma carnificina estilizada, onde cada confronto parece saído de uma graphic novel exagerada. A violência não é apenas um elemento da trama, mas sim sua essência, algo evidente em cenas como a eliminação impiedosa de uma gangue inteira enquanto o protagonista gira suspenso em um lustre, descarregando munição sem qualquer hesitação.

Ray Stevenson assume o papel de Frank Castle com uma presença intimidadora, mas sem grande profundidade emocional. A tentativa de inserir um conflito moral – quando o anti-herói mata acidentalmente um agente do FBI – acaba soterrada sob a pilha de corpos que ele acumula ao longo do filme. “Arrependimento não muda o passado”, reflete Castle em determinado momento, evidenciando a falta de espaço para nuances emocionais em um roteiro que prioriza a ação frenética. Nem mesmo a viúva e a filha do agente morto conseguem humanizar o personagem, funcionando mais como peças de um tabuleiro do que figuras reais.

Os antagonistas Jigsaw (Dominic West) e Loony Bin Jim (Doug Hutchison) tentam preencher o espaço deixado pela ausência de um conflito mais elaborado, mas acabam caindo na caricatura. West exagera nos trejeitos de vilão clássico, enquanto Hutchison entrega uma performance tão insana que mais parece uma paródia involuntária.

Lançado no mesmo ano de Homem de Ferro e O Cavaleiro das Trevas, O Justiceiro: Em Zona de Guerra parece deslocado no tempo. Com o cinema de quadrinhos evoluindo para narrativas mais densas e personagens complexos, este filme soa como um vestígio de uma era onde a ação desenfreada bastava. A ausência de Stan Lee, figura onipresente nos filmes da Marvel, é simbólica: se nem ele achou relevante aparecer, talvez o público também não precise se preocupar em assistir.

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