Uma protagonista convence quando deixa de ser apenas o alvo dos acontecimentos para se tornar a força que passa a movê-los. É exatamente esse ponto de inflexão que Quem Ama Cuida alcança ao inaugurar uma nova etapa de sua narrativa. Depois de uma longa trajetória marcada por perdas, injustiças e silêncio, a novela entrega à personagem principal aquilo que lhe faltava desde o início: a capacidade de conduzir o próprio destino.
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A primeira vitória de Adriana (Letícia Colin) acontece ao descobrir o relacionamento secreto entre Ademir (Dan Stulbach) e Suely (Julia Stockler). O segredo, que durante muito tempo fortaleceu o advogado, torna-se a brecha que ela precisava para desmontar sua estrutura de poder. Ao conquistar a confiança da ex-secretária, Adriana deixa de enfrentar seus adversários sozinha e passa a reunir provas capazes de sustentar a ofensiva contra quem destruiu sua vida.
Na sequência, uma gravação deixada por Arthur Brandão (Antonio Fagundes) muda completamente o cenário. O empresário revela a existência de uma fortuna escondida na Suíça e informa que o acesso ao patrimônio está gravado no interior da aliança entregue à protagonista. A descoberta lhe garante independência financeira para agir com discrição, enquanto o retorno de Heitor (Renato Góes) amplia sua rede de apoio e fortalece a investigação contra os responsáveis pela conspiração que a levou injustamente para a prisão.
O maior mérito de Quem Ama Cuida está em construir essa virada sem transformar a protagonista em uma heroína invencível. Adriana não vence porque encontra dinheiro ou conquista novos aliados. Ela vence porque recupera aquilo que lhe foi roubado muito antes da liberdade: a autonomia para decidir os próprios passos. É essa mudança silenciosa, mas definitiva, que faz da nova fase da novela um momento de amadurecimento dramático e reposiciona sua protagonista como a grande estrategista da história.
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