Há novelas que apostam no confronto direto. Outras entendem que a maior punição de um personagem começa quando suas certezas deixam de existir. Quem Ama Cuida escolhe o segundo caminho. Em vez de acelerar a vingança da protagonista, a trama constrói, com paciência, o momento em que a verdade começa a corroer a imagem de um homem acostumado a controlar todos ao seu redor.
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O ponto de virada nasce quando Adriana (Letícia Colin) decide contar a Suely (Julia Stockler) como foi injustiçada por Ademir (Dan Stulbach). O relato dá à ex-secretária a coragem necessária para denunciar o advogado por assédio e confiar sua defesa a Pedro (Chay Suede). As duas chegam à delegacia enquanto Adriana observa tudo ao lado de Mau Mau, consciente de que aquele gesto pode inaugurar uma sucessão de acontecimentos capaz de desmontar o prestígio do adversário. A satisfação da protagonista aumenta ao descobrir que Ademir será oficialmente notificado.
Enquanto o advogado tenta preservar sua influência oferecendo ajuda a Ingrid (Agatha Moreira) na administração da Joalheria Brandão, a realidade começa a escapar de seu controle. Ingrid assume a presidência da empresa após a votação do Conselho, Tiago (Gui Ferraz) reage com ameaças e se recusa a aceitar a mudança de comando, e Carmita (Deborah Evelyn) percebe que caiu em um golpe aplicado por Edson (Vandré Silveira). Em paralelo, um e-mail anônimo enviado por Suely anuncia a Ademir que sua tranquilidade chegou ao fim, enquanto Dora acompanha, apreensiva, o início da derrocada do marido.
O maior acerto de Quem Ama Cuida está em mostrar que a queda de um antagonista raramente acontece de forma explosiva. Ela se constrói por pequenas rachaduras que, aos poucos, comprometem toda a estrutura. A denúncia, a notificação, as ameaças anônimas e o desgaste de sua imagem transformam Ademir em um personagem acuado pela própria história. Ao mesmo tempo, Adriana deixa definitivamente a posição de vítima para assumir, com inteligência e discrição, o comando da narrativa que um dia lhe foi roubada.
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