Há romances que nascem para acelerar a narrativa. Outros existem para desacelerá-la. Em Quem Ama Cuida, a aproximação entre Elisa e Enéas pertence ao segundo grupo. Em vez de recorrer a paixões arrebatadoras, a novela aposta em um encontro marcado pela escuta, pela maturidade e pela compreensão de que ninguém chega inteiro a uma nova história de amor.
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A relação entre Elisa (Isabela Garcia) e Enéas (Glicério do Rosário) cresce aos poucos, sustentada por conversas, gestos discretos e uma confiança construída sem pressa. Depois de atravessar conflitos familiares e dedicar boa parte de sua energia à proteção de Adriana (Leticia Colin), Elisa volta a permitir que a vida lhe ofereça algo além das responsabilidades. O romance surge sem promessas grandiosas, respeitando o tempo da personagem e a delicadeza do momento que ela atravessa.
É justamente quando essa aproximação ganha força que Enéas decide revelar a dor que o acompanha há anos. O personagem conta que perdeu um filho ainda na infância e admite que a tragédia destruiu seu casamento, incapaz de resistir ao peso de um luto que nunca foi superado. A confissão emociona Elisa, que passa a enxergar por trás da serenidade do companheiro um homem profundamente marcado pela ausência e pela culpa.
O mérito de Quem Ama Cuida está em resistir à tentação de transformar esse romance em um conto de fadas. A novela compreende que o amor adulto não elimina cicatrizes nem apaga o passado. Ele apenas oferece a possibilidade de seguir em frente apesar dele. É essa escolha, mais contida e verdadeira, que faz de Elisa e Enéas um dos casais mais sensíveis e bem construídos desta nova fase da trama.
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