Toda novela precisa de um instante em que a verdade deixa de ser patrimônio de poucos para contaminar quem ainda insistia em acreditar na aparência. Em Quem Ama Cuida, esse momento chega quando as suspeitas finalmente alcançam Dora (Mariana Ximenes), personagem que durante boa parte da trama enxergou o marido como alguém acima de qualquer desconfiança. A partir daí, o conflito deixa de ser apenas jurídico para ganhar uma dimensão íntima e irreversível.
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A mudança começa quando André (Henrique Barreira) revela que Ademir (Dan Stulbach) mantém uma vida dupla. A princípio, Dora reage com incredulidade, incapaz de aceitar que o homem com quem construiu sua família pudesse esconder uma sequência de traições e manipulações. Mas a sucessão dos acontecimentos faz a resistência ceder. Enquanto Suely (Julia Stockler) rompe definitivamente com o ex-chefe, procura Pedro (Chay Suede) para denunciá-lo e se aproxima de Adriana (Letícia Colin), Dora passa a perceber que todas as peças da história começam a se encaixar.
O isolamento de Ademir cresce na mesma velocidade em que sua rede de proteção desmorona. A denúncia formal, o e-mail anônimo que anuncia o início de seu inferno particular e a notificação judicial deixam claro que o advogado já não controla os acontecimentos como antes. Pela primeira vez, Adriana deixa de lutar sozinha, enquanto antigos aliados passam a enxergar aquilo que ela tentava provar desde o início da novela.
É uma virada construída com paciência, sem recorrer ao impacto gratuito. Ao permitir que Dora descubra a verdade no tempo da personagem, Quem Ama Cuida transforma uma esposa fiel em uma possível adversária do próprio marido. A novela inaugura, assim, uma nova fase em que a maior ameaça a Ademir não vem apenas da Justiça, mas da perda gradual de todas as pessoas que sustentavam sua autoridade.
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