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Globo age às pressas após cena de Quem Ama Cuida provocar reação jurídica

Notificação extrajudicial faz emissora reeditar capítulo no Globoplay, retirar vídeos do ar e apagar digitalmente referências de cenas já gravadas

Publicado em 24/07/2026

Uma novela controla roteiro, personagens e boa parte daquilo que coloca diante da câmera. O que nenhuma produção controla inteiramente é a repercussão quando a ficção esbarra em instituições do mundo real. Quem Ama Cuida colocou a Globo diante desse limite depois que um detalhe de ambientação deixou o fundo da cena e se transformou em questão jurídica. O episódio exigiu mudanças rápidas em conteúdo já finalizado e mostrou como, na televisão, poucos segundos de imagem podem produzir consequências muito além da dramaturgia.

A controvérsia nasceu na sequência em que Adriana (Leticia Colin) presencia Ademir (Dan Stulbach) assediando Suely (Julia Stockler). Placas com a identificação da Associação dos Advogados de São Paulo, a AASP, entidade existente fora da ficção, ficaram visíveis durante as cenas. A associação reagiu ao uso de sua marca naquele contexto, enviou uma notificação extrajudicial à Globo e ressaltou publicamente que os acontecimentos retratados pela novela não representam seus valores institucionais.

A reação provocou alterações nos bastidores. Segundo a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a Globo reeditou o capítulo disponibilizado no Globoplay e retirou vídeos promocionais em que a identificação aparecia. Referências visuais à entidade também passaram a ser eliminadas digitalmente de sequências que já haviam sido gravadas. O arco envolvendo a denúncia de Suely contra Ademir permanece em Quem Ama Cuida. O que desaparece é a associação visual que desencadeou a controvérsia.

O caso revela uma contradição interessante da televisão contemporânea: quanto mais realista pretende ser a ficção, maior precisa ser o cuidado com aquilo que toma emprestado da realidade. A Globo não precisou alterar o conflito central de Quem Ama Cuida, mas foi obrigada a rever a moldura escolhida para apresentá-lo. No fim, a maior dor de cabeça não nasceu de uma reviravolta escrita para os protagonistas. Veio de uma placa ao fundo, suficiente para atravessar a tela e transformar cenografia em assunto jurídico.

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