Há vilões que passam a novela inteira acreditando que inteligência basta para escapar das consequências. Em Quem Ama Cuida, a trajetória de Ademir caminha para mostrar justamente o contrário. Depois de construir sua influência por meio da manipulação, do abuso de poder e da intimidação, o advogado descobre que nenhuma estratégia é capaz de impedir o acerto de contas quando as máscaras finalmente caem.
Veja também:
Caso a trama siga a sinopse prevista, Ademir (Dan Stulbach) verá sua derrocada acontecer em etapas. Primeiro, perde a credibilidade diante das denúncias que colocam sua conduta em xeque. Em seguida, assiste ao desmoronamento da própria vida pessoal, afasta-se da família e acaba condenado pelos crimes cometidos ao longo da história. O homem que sempre acreditou controlar todos à sua volta termina conduzido ao único lugar que jamais imaginou ocupar: uma cela.
A punição, porém, não termina com a sentença. Já dentro do presídio, Ademir passa a enfrentar a violência do ambiente que antes observava de longe. Sem o prestígio, o dinheiro ou a influência que sustentaram sua posição durante tantos anos, ele se torna alvo de outros detentos e acaba assassinado a facadas, em um desfecho tão brutal quanto simbólico para a trajetória do personagem.
O acerto de Quem Ama Cuida está em fazer da queda de Ademir algo maior do que a morte de um vilão. A força dessa conclusão não reside na violência da cena, mas na inversão de papéis que ela representa. O homem que passou a vida decidindo o destino dos outros termina incapaz de decidir o próprio. É um final que encerra o ciclo do antagonista sem glamourizar sua derrota, reforçando que o verdadeiro peso de seus crimes não está apenas na condenação judicial, mas na completa perda do poder que sempre acreditou ser eterno.
O conteúdo veiculado nesta coluna é de total responsabilidade do colunista parceiro. As opiniões e informações aqui expressas não são de responsabilidade do Grupo Observatório.
