Há um momento em toda história de vingança em que sobreviver deixa de ser suficiente. Quem Ama Cuida chega a esse ponto ao transformar uma mulher que passou anos reagindo às consequências de uma injustiça em alguém capaz de determinar os próximos movimentos. Depois de cerca de 60 capítulos, a revanche deixa de ser promessa e ganha método. Não haverá um único adversário a derrotar, mas uma estrutura inteira a desmontar. E cada queda servirá para aproximá-la daquele que será o confronto definitivo.
Veja também:
Depois de avançar contra Ademir (Dan Stulbach), Adriana (Leticia Colin) muda o foco e coloca Ulisses (Alexandre Borges) na mira. Ao investigar o empresário, ela descobre a vulnerabilidade que ele mantém escondida da própria família: o vício em jogos de azar. A presença de Lyris (Pri Helena) no cassino clandestino frequentado por Ulisses oferece à protagonista o acesso de que precisava. Adriana não pretende enfrentá-lo onde ele é poderoso, mas conduzi-lo justamente para o território em que perdeu o domínio sobre si mesmo.
A caçada não termina ali. Tom (Allan Souza Lima) terá de responder pelo falso testemunho que ajudou a condená-la, enquanto Silvana (Belize Pombal) e Diná (Rosi Campos) também permanecem na lista por suas participações na armação. O interessante é que Adriana não distribui a mesma vingança para todos. Ela observa, investiga e procura a fragilidade particular de cada adversário. O acerto de contas deixa, assim, de parecer uma sequência de explosões e assume a forma de uma operação cuidadosamente organizada.
No centro de tudo permanece Pilar (Isabel Teixeira), preservada para o último movimento. Em Quem Ama Cuida, deixá-la para o fim significa compreender que poder raramente pertence a uma pessoa isolada: ele depende das alianças que a cercam. Adriana pretende retirar esses apoios antes de enfrentar sua maior inimiga. Depois de 60 capítulos, portanto, a protagonista já não está apenas buscando justiça pelo que perdeu. Está escolhendo a ordem em que seus adversários deverão enfrentar o passado. E, nessa caça, o mais inquietante para eles é ainda não saber quando chegará a própria vez.
O conteúdo veiculado nesta coluna é de total responsabilidade do colunista parceiro. As opiniões e informações aqui expressas não são de responsabilidade do Grupo Observatório.
