Há vilões que chegam ao fim derrotados por um grande gesto. Outros são esvaziados lentamente, até que reste pouco da imagem de poder construída ao longo da história. Quem Ama Cuida reserva ao seu antagonista uma punição dessa segunda natureza. Antes de qualquer desfecho definitivo, haverá uma espécie de morte social: reputação, família e autoridade começam a desaparecer diante de um homem que sempre acreditou controlar a narrativa dos outros. A tragédia anunciada para a reta final será apenas o último estágio de uma queda muito mais longa.
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O desmoronamento de Ademir (Dan Stulbach) ganha força com a vingança de Adriana (Leticia Colin) e as denúncias de Suely (Julia Stockler). A ex-secretária acusa o advogado de assédio, o caso alcança repercussão pública e outras mulheres também decidem denunciá-lo. A situação se torna ainda mais devastadora quando Pedro (Chay Suede) assume a defesa das vítimas. O filho se recusa a atender aos pedidos do pai para fazê-las recuar e transforma um conflito familiar em enfrentamento nos tribunais.
A ruína também atravessa a porta de casa. Dora (Mariana Ximenes) rompe o casamento e expulsa Ademir, enquanto o advogado passa a conviver com intimações, jornalistas e a debandada de clientes importantes. O homem acostumado a usar prestígio profissional como demonstração de força vê justamente sua imagem pública se converter em fragilidade. O castigo dramático não está apenas em perder dinheiro ou influência, mas em assistir às pessoas mais próximas recusarem a lógica que durante tanto tempo sustentou seu poder.
Se o desfecho planejado for mantido, depois de 100 capítulos Quem Ama Cuida conduzirá Ademir dessa derrocada a uma morte brutal na reta final. A escolha ganha força porque a tragédia não chega como punição isolada nem substitui as consequências de seus atos. Quando o fim vier, ele já terá perdido casamento, prestígio, clientes e até a cumplicidade do próprio filho. A morte poderá chocar pela violência, mas a verdadeira queda terá acontecido antes: no instante em que Ademir perceber que continua vivo, porém já não controla quase nada ao seu redor.
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