Existe um momento em que a novela deixa de perguntar quem manda e passa a mostrar quem, afinal, terá de responder pelos próprios atos. Quem Ama Cuida chega a esse ponto sem recorrer a reviravoltas gratuitas. A trama reorganiza suas forças dramáticas e faz do enfraquecimento de antigos protagonistas do poder o combustível de uma fase em que as vítimas deixam de apenas resistir para finalmente agir.
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O movimento mais expressivo acontece com Adriana (Letícia Colin). Ao contar a Suely tudo o que sofreu nas mãos de Ademir (Dan Stulbach), ela transforma uma dor individual em uma reação coletiva. Suely procura Pedro (Chay Suede) para formalizar a denúncia de assédio, enquanto Adriana acompanha, à distância, o início da derrocada do advogado. A notificação, os e-mails ameaçadores, a convocação para depor e, mais tarde, a repercussão diante da imprensa deixam claro que Ademir já não controla a narrativa como fazia até então. A novela acerta ao fazer da exposição pública um castigo tão eficiente quanto qualquer sentença.
No núcleo da Joalheria Brandão, o poder também muda de endereço. Ingrid (Agatha Moreira) assume a presidência da empresa em meio à resistência de Tiago, enquanto Pilar (Isabel Teixeira) enfrenta uma sequência de constrangimentos que culmina na descoberta de que o anel levado por Carmita (Deborah Evelyn) não passa de uma réplica. Ao mesmo tempo, Carmita tenta lidar com o golpe aplicado por Edson, Otoniel reencontra razões para olhar adiante com a reaparição de Francesca, e Dora (Mariana Ximenes) percebe que já não consegue sustentar um casamento abalado pelas escolhas do marido.
O mérito de Quem Ama Cuida está em compreender que boas novelas não vivem apenas de segredos, mas das consequências que eles produzem. Adriana deixa de ser definida pela injustiça que sofreu, Pilar descobre que autoridade não é sinônimo de confiança, e Ademir começa a experimentar o isolamento provocado pelos próprios atos. É uma mudança de eixo construída com paciência, em que cada decisão repercute no coletivo e prepara a história para uma etapa em que o poder deixa de proteger e passa, enfim, a cobrar seu preço.
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