Toda novela precisa de um momento em que o poder muda de lado. Em Coração Acelerado, essa virada não acontece por meio de uma grande revelação, mas pela lenta erosão da personagem que durante tanto tempo acreditou controlar todos à sua volta. O roteiro troca o excesso de confrontos por uma sucessão de consequências que tornam a queda de Zilá muito mais convincente do que qualquer derrota repentina.
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A pressão começa quando Xavier passa a chantagear Zilá, exigindo dinheiro para manter silêncio sobre um segredo ligado a Soraia. Encurralada, ela recorre a Ronei, mas a situação foge de controle quando Xavier é baleado antes de conseguir revelar toda a verdade a Leandro. A investigação transforma o crime no principal mistério da trama, enquanto Zilá e Ronei passam a temer que o dinheiro entregue ao chantagista possa vir à tona. Pouco depois, uma ameaça anônima coloca a empresária definitivamente na defensiva.
Ao mesmo tempo, sua influência desmorona dentro do Grupo Amaral. O Conselho decide devolver a presidência a Alaorzinho, encerrando o ciclo de poder de Zilá. Como se não bastasse, Cinara passa a carregar um segredo capaz de comprometê-la, Ronei intensifica as articulações nos bastidores e novas mensagens intimidatórias deixam claro que alguém conhece detalhes que ela imaginava enterrados para sempre. Pela primeira vez, Zilá percebe que já não controla o rumo dos acontecimentos.
Enquanto a antagonista perde terreno, a novela distribui novos conflitos entre seus demais núcleos. O casamento de Alaor e Zuzu segue adiante depois de um mal-entendido sobre a saúde do empresário, Agrado e Eduarda enfrentam turbulências provocadas pelo vazamento de uma proposta internacional, e João Raul continua tentando reconstruir a carreira longe das sabotagens de Ronei. O mérito de Coração Acelerado está justamente em equilibrar esses arcos sem perder de vista seu principal eixo dramático: mostrar que o maior castigo para quem vive de manipular os outros é descobrir que alguém passou a conduzir o jogo em seu lugar.
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