A derrota do Red Bull Bragantino para o São Paulo Futebol Clube nas quartas de final do Campeonato Paulista ultrapassou o resultado esportivo e provocou forte debate público. Após a partida, o zagueiro Gustavo Marques criticou a arbitragem de Daiane Muniz e acabou acusado de misoginia. A repercussão foi imediata, especialmente nas redes sociais, e gerou manifestações contundentes contra o atleta.
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Entre as reações, a jornalista Bárbara Coelho, da CazéTV, se posicionou de forma enfática. “Falas misóginas, comportamentos machistas são situações que matam mulheres todos os dias no Brasil. Precisamos entender o tamanho da atrocidade que foi dita pelo Gustavo. Quando escutei, não consegui nem prestar atenção no jogo”, declarou. Para ela, a atitude representou “desonestidade e covardia” e reforça a urgência de enfrentar o machismo no ambiente esportivo. A jornalista também ressaltou que não houve erro determinante da árbitra que justificasse a eliminação.
Nota oficial e pedido de desculpas
A Federação Paulista de Futebol divulgou comunicado repudiando a fala, afirmando que ela “reflete uma visão primitiva, machista e preconceituosa, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol”. A entidade informou ainda que o caso será encaminhado à Justiça Desportiva. Durante a entrevista, Gustavo Marques questionou: “[Jogar] contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians, e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez”.
Diante da repercussão, o jogador pediu desculpas “a todas as mulheres do mundo” e afirmou estar arrependido, dizendo inclusive que foi repreendido pela própria esposa e pela mãe. Ainda assim, Bárbara Coelho contestou a justificativa baseada em emoção: “Muitas mulheres morrem ou são violentadas no Brasil, e depois a justificativa é que a cabeça estava muito quente. Não sou eu que tenho que aceitar esse tipo de desculpas”. O episódio reacendeu discussões sobre igualdade de gênero no futebol brasileiro.
