Qual será a escalação de Tite para o terceiro jogo do Brasil na Copa do Mundo do Catar? Por pouco, o treinador poderia contar com um zagueiro de 1,85m com habilidade nos pés, talento para driblar e até gols. Este atleta, contudo, desistiu do futebol para realizar o sonho de ser ator. Luiz Fortes, revelação do teatro, estreia em novelas como Rômulo, personagem de Todas as Flores. Nesta quarta-feira (30), cinco novos capítulos chegam ao Globoplay.
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Rominho, como também é chamado na trama, já apresentou seu cartão de visitas e tem chamado a atenção do público em cenas de ação e também pela beleza. Embora não seja fã do rótulo de galã, o ator de 21 anos está adorando a repercussão de seu primeiro trabalho audiovisual. Aliado de Maíra (Sophie Charlotte), Jéssica (Duda Batsow) e Ciça (Samantha Jones), Rômulo ajudará a desmascarar a vilã Zoé (Regina Casé) e seu envolvimento com tráfico humano disfarçado na fundação.
“Rômulo já sofreu muito na vida. A prisão é sua própria vida, está preso em um lugar onde não tem o que comer. A rua é o inferno para ele. Nas cenas, é possível perceber como ele observa a fundação. A partir do momento em que ele vê câmeras, muita coisa estranha, muito mistério, já começa a enfrentar aquilo e pensa em como sair daquele lugar”, explica Luiz Fortes em entrevista exclusiva à coluna.
Para encarar seu primeiro desafio no audiovisual, ele resgatou sua própria vivência no ABC paulista. Nascido em São Bernardo do Campo, cresceu na comunidade ouvindo histórias de superação da própria família, criando uma “casca” para também atingir seus objetivos. A semelhança entre seu papel na novela e a realidade de seus pais impressionou o ator.
“Minha família veio do Nordeste e passou muita dificuldade para sobreviver. Minha mãe, quando pequena, viveu sozinha, só com os irmãos, como a Jéssica (Duda Batsow). Carrego essa história comigo. Acho muito importante observar como isso é passado para a dramaturgia. Na vida, a gente só tende a sofrer. Na ficção, conseguimos passar essa força que o herói tem que ter. Rominho é um herói romântico”, analisa o artista, que também se preparou assistindo a filmes de suspense, como Corra (2017), de Jordan Peele.

Fundação aproximou Luiz Fortes da arte e do esporte
Enquanto Rômulo tenta se salvar da Fundação Cinco Horizontes, Luiz Fortes é grato a outra fundação (bem diferente da obra social de fachada liderada por Zoé) que o aproximou dos esportes e das artes. Como bolsista da Fundação Salvador Arena, em São Bernardo do Campo, teve suas primeiras experiências no teatro e disputou campeonatos de vôlei e futebol.
“Quando passei, eram 6 mil pessoas concorrendo a duas vagas. Não tinha condição de estudar em escola particular. Pude realmente ter acesso à arte e como poderia ser alguém no esporte, me deu abertura para ser alguém. Cheguei a ser federado para virar atleta profissional, fui até campeão paulista de vôlei. No futebol, disputei o Campeonato Paulista pelo São Caetano, também joguei no São Bernardo e fiz teste no Água Santa. Enfrentei clubes grandes como o Palmeiras. Mas tive que decidir entre virar profissional do futebol ou profissional da arte”, conta Fortes.
Paralelamente à carreira esportiva, trabalhou como modelo e estudou atuação durante cinco anos. A rotina intensa nos gramados e nos palcos o forçou a desistir de uma paixão. Os brasileiros perderam um zagueiro, mas ganharam um ator. Até ex-colegas de time parabenizam o “capitão”, como ficou conhecido nas categorias de base, pela estreia na Globo.
“É como furar uma bolha, porque quem nasce onde nasci, se quiser se destacar, vai ser jogador ou MC. Meu irmão é mecânico na oficina do meu pai e falou a um MC que chegou lá que eu estava na novela. O cara se surpreendeu: ‘Nunca vi alguém daqui se tornar um ator’. Você não vê pessoas fazendo arte, só trabalham para sobreviver. Fazer arte é um luxo”
Luiz Fortes
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