O ator Paulo Lessa tem 40 anos e sete novelas no currículo, incluindo três produções das nove da Globo, a mais vista da TV brasileira. Nesta segunda-feira (30), ele voltou à emissora como um dos protagonistas de Cara e Coragem, nova trama das sete, interpretando Ítalo, par romântico de Clarice (Taís Araújo). Estranhamente, ele apareceu na abertura de sua oitava novela como “revelação”.
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Na dramaturgia da Globo, iniciantes são creditados na abertura das produções como “apresentando”, termo que engloba atores e atrizes sem experiência alguma na profissão ou na TV. Vitória Bohn, de 19 anos, foi corretamente incluída nesta categoria porque nunca atuou em novela e tem apenas uma minissérie no currículo.
Situação completamente diferente de Paulo Lessa, que estreou na Globo com uma participação em A Favorita (2008), atualmente reprisada em Vale a Pena Ver de Novo, e após rápida passagem pela Record conseguiu seu primeiro papel fixo em novelas em Viver a Vida (2009).

A terceira história das nove, A Lei do Amor (2016), lhe reservava ainda mais aparições. Na trama, ele iria se apaixonar por Aline (Arianne Botelho), uma jovem rebelde que se tornaria prostituta. O mecânico Marcão, porém, foi vítima de um “desmanche” que afetou outros personagens. A causa? Baixa audiência. A solução encontrada pela Globo foi mandar os autores Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari cortarem personagens desnecessários.
Em janeiro de 2017, este colunista entrevistou Paulo Lessa e outros “sumidos” de A Lei do Amor. O ator não escondeu sua insatisfação por ter sido “chutado” da novela. Marcão saiu à procura de Aline, também cortada. Na vida real, ele rescindiu com a Globo e fechou com a Record, onde trabalhou em três produções: Belaventura (2017), Jesus (2018) e Gênesis (2020).
“É inevitável ficar um pouco decepcionado, porque você fica imaginando que é alguma coisa com você”, afirmou Paulo, que foi convencido pela direção da trama de que a saída “era necessária para a obra”. “Isso virou até brincadeira interna entre os amigos: ‘Vai procurar a Aline eternamente’, porque não teve continuidade, infelizmente”.
Cinco anos e cinco meses depois, Paulo Lessa reaparece na Globo como protagonista, resultado de uma nova política do canal que abre espaço a profissionais negros (como a diretora de Cara e Coragem, Mayara Aguiar). Mas, como se ainda tivesse de provar sua experiência e seu talento, volta como um ilustre desconhecido. Ou, nos créditos, “apresentando”.
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