Para que serve o reality show? Além das definições das “bíblias” da TV, o formato promete ao telespectador definir os rumos de um programa de acordo com seus sentimentos. O BBB 23, como nas outras edições, segue esta premissa, porém, diferentemente das temporadas anteriores, anulará parte de milhões de votos ao resgatar dois eliminados a pouco mais de um mês da grande final.
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A decisão, anunciada no último domingo (19) por Tadeu Schmidt, visa “tapar o buraco” de MC Guimê e Cara de Sapato, expulsos por assediarem Dania Mendez. Para manter o cronograma, que envolve cifras milionárias dos patrocinadores, Boninho apelou a uma tática manjada, mas completamente injusta contra quem é realmente fã de reality show (e não são os comentaristas debochados da internet).
Reintegrar competidores já ocorre com frequência no MasterChef, da Band, que não tem votação popular. No BBB 11, por exemplo, o público pôde eliminar e “ressuscitar” Mau Mau no jogo. A pioneira Casa dos Artistas, do SBT, fez história também porque Silvio Santos manipulou o programa para impedir a saída de Alexandre Frota, seu participante mais polêmico, primeiramente convencendo-o a “desistir da desistência” e, semanas depois, boicotando votos contra o bad boy, que chegou à final.
Da “semana turbo” a um intercâmbio traumático, Boninho tem inventado artifícios para manter o BBB 23 imprevisível e prender o espectador. A estratégia vinha dando certo até dois de seus contratados cometerem crimes em rede nacional e “implodirem” o reality.
Sem clima para manter até o fim de abril um programa sob a mira da polícia e das críticas, Boninho chutou o balde do jogo e foi comparado pejorativamente a Rodrigo Carelli, chefão de A Fazenda forjado por Silvio Santos na Casa dos Artistas. Conhecido por mudar regras aleatoriamente, tem culpa pela falta de credibilidade do reality rural da Record.
Em uma canetada (ou “carellada”), o diretor do BBB23 resolveu dar uma segunda chance a Gabriel, que oprimiu Bruna Griphao em um relacionamento tóxico, e Cristian e Gustavo, que cometeram racismo religioso contra Fred Nicácio. Para Paula e a dupla Marília e Fred Nicácio, a repescagem representa uma terceira chance de disputar o prêmio superior a R$ 2 milhões, já que concorreram, respectivamente, na Casa de Vidro e no paredão falso.
O reality show revolucionou a TV ao empoderar o espectador, até então passivo na frente da tela, para alguém que vive a competição, escolhe seu participante favorito, se emociona e joga com ele. Perdido, Boninho fez sua escolha ao ameaçar o jogo para garantir suposto entretenimento (resta saber a quem). Para quem realmente gosta de reality show, o jogo é o entretenimento. Mas, afinal, o que virou o BBB?
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