Milton Cunha, atualmente, não está mais restrito à cobertura de Carnaval da Globo. Com cada vez mais espaço na emissora, falando sobre diferentes assuntos, confessou que a virada na carreira veio tarde.
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“Sempre achei que o personagem que construí no Carnaval era feito para a câmera. O visual, as cores, o cabelo pintado, tudo foi pensado para chamar atenção. Esperei muitos anos pela oportunidade certa. Recusei convites em que eu não pudesse falar ou improvisar. A virada veio tarde, quando entenderam que poderiam aproveitar não só minha imagem, mas também minha capacidade de comunicação”, disse em entrevista ao F5.
O comentarista também comentou sobre a sua relação com o jornalismo da Globo. Milton conseguiu impor o seu estilo, sem grande esforço. “Nunca. Eu achava que entraria por qualquer outra porta antes. O padrão do jornalismo da Globo parecia distante de mim, era o ‘boa noite’ do William Bonner. Mas, ao longo de décadas dando entrevistas sobre Carnaval, fui percebendo que havia espaço para uma figura diferente naquele ambiente. Um orgulho para a bicha pintosa de Belém do Pará chegar naquele espaço de fala”, disse.
Na mesma entrevista, Milton não se ilude em relação a representatividade da comunidade LGBTQIA+. Ele confessou que o preconceito apenas “mudou” de forma. “Foi uma conquista lenta, grão a grão. Quando comecei a aparecer na TV, nos anos 1990, ser assumido já era um ato de resistência. Hoje existem mais vozes e mais espaços, mas também há um enfrentamento muito mais explícito. O preconceito não desapareceu; ele apenas mudou de forma”.
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