A trajetória recente de Barbara Reis parece cercada por uma curiosa mistura de reconhecimento e inquietação. Em Três Graças, a atriz dá vida a Lena, uma mulher marcada pela frustração de não conseguir engravidar e que, levada ao limite, decide comprar o bebê recém-nascido de Joélly (Alana Cabral). A força da narrativa escrita por Aguinaldo Silva ultrapassou a ficção e passou a ecoar no cotidiano da atriz, que relata abordagens inesperadas do público, tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
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O que mais chama atenção, segundo Barbara, é a forma como a personagem se infiltra na percepção das pessoas. “As pessoas me abordavam falando ‘onde está a barriga falsa?’ ou ‘não leva o bebê da Joélly’. Isso me deixou muito feliz. Mesmo que a minha personagem não esteja todo dia na tela dos brasileiros, ela está dentro da história. A personagem é complexa”, afirma. Os comentários, que misturam humor e tensão, revelam que Lena, longe de ser previsível, conquistou um espaço incômodo e, ao mesmo tempo, cativante na trama. As informações são de Beatriz Bourroul, repórter da Quem, que entrevistou a atriz.
Distante da busca por protagonismo a qualquer custo, a atriz encara este momento como uma reafirmação de propósito. Após viver a mocinha em Terra e Paixão (2023), ela agora se volta a papéis que provoquem reações mais profundas. “Sabia do poder de complexidade desta personagem. Tenho um trabalho árduo. Não existe papel menor, o que existe é entrega. Tenho conseguido que as pessoas sintam raiva e sintam pena da Lena”, diz, sugerindo que o impacto da personagem talvez esteja justamente nesse território ambíguo.
Fora das telas, o tema da maternidade também a atravessa, ainda que em outro ritmo. Sem ignorar a pressão, Barbara prefere conduzir esse desejo com cautela e planejamento. “Vejo a maternidade como um projeto de vida importante, mas precisa acontecer em um tempo certo para mim”, afirma. A atriz conta que congelou óvulos como forma de lidar com mais tranquilidade com o futuro, mas reforça: “Para ser mãe, acho que preciso estar preparada emocionalmente, com uma estrutura de vida que me permita viver essa experiência e consiga estar presente.”
