Existem histórias que parecem nunca se encerrar, apenas ganham novas camadas. É nesse terreno que o ator Henri Castelli reaparece em cena interpretando Jesus no espetáculo A Paixão de Cristo, desta vez com um papel ainda mais abrangente, após uma breve participação no BBB 26, no qual foi desclassificado devido a dois episódios de convulsão. Além de integrar o elenco, ele assume pela primeira vez a direção da montagem, em parceria com Clayson Viana. A produção, conduzida pelo Grupo Discovery, percorre cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais, reunindo uma estrutura que foge ao convencional e levanta curiosidade sobre o que o público verá.
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O projeto se desenha em proporções consideráveis: são 165 atores locais envolvidos, um cenário de cerca de 522 metros quadrados e uma série de elementos cenográficos feitos artesanalmente. Ao longo da preparação, aproximadamente 30 ensaios moldam a narrativa que será apresentada em um formato pouco comum. Em vez de se fixar em um único espaço, como tradicionalmente ocorre nesse tipo de encenação, a montagem aposta em um palco itinerante, concebido para manter a mesma estrutura e proposta artística em cada cidade por onde passa.
A estreia foi no dia 28 de março, às 20h, em Lindóia (SP). Depois, o espetáculo seguiu para Socorro (SP), no dia 29, encerrando o circuito em Monte Sião (MG), em 3 de abril. Todas as apresentações são gratuitas. Nos bastidores, Castelli acompanhou de perto cada etapa do processo criativo, com atenção especial às cenas que envolvem crianças, participando ativamente da construção dramática.
Mas é fora do palco que parte do enredo parece ganhar contornos mais íntimos. O ator relembra que o convite inicial veio acompanhado de influências familiares e reflexões pessoais sobre fé. A responsabilidade de interpretar Jesus, segundo ele, trouxe insegurança no início da carreira, especialmente diante do peso simbólico do personagem. Com o tempo, no entanto, encontrou na própria trajetória e nas lembranças familiares, como as conversas com a avó sobre Deus, a confiança necessária para seguir. Para Castelli, a presença naquele papel não foi acaso, mas algo que, até hoje, ele acredita ter um significado maior.
“Quando fui chamado pela primeira vez, minha família toda, que é cristã, me influenciou muito. Mesmo tendo sido católico e conhecido outras religiões, eu aprendi que, na Bíblia, Deus não tem religião. Ele está acima de todas. Isso ficou martelando na minha cabeça”, afirma o ator para a coluna João Biott. “Na primeira vez que participei do espetáculo, estava morrendo de medo. Estava no início da minha carreira, não estava acostumado com teatro aberto. E era uma responsabilidade enorme: eu ia interpretar Jesus. Era um ator consagrado no papel antes de mim, e eu só pensava que não ia conseguir. Mas ali entendi, como Davi enfrentando Golias, a verdadeira força que vem da fé”, disse. “Lembro que, num momento, me concentrei e pensei em tudo que minha família falava no Natal sobre Deus, sobre Jesus. Minha avó falava muito disso. E aquilo tudo voltou. Entendi que, se eu estava ali, era porque Deus me colocou ali. Até hoje acredito nisso”, contou.
Colaborou Laís Seguin
