Crítica de TV

Volta de Além do Tempo representa chance para criação mais ampla de novos clássicos das novelas

Novela de Elizabeth Jhin exibida em 2015 tem reestreia marcada para 27 de abril, na faixa Edição Especial

Publicado em 13/04/2026

Nesta segunda-feira (13), a TV Globo divulgou que Além do Tempo (2015-16), de Elizabeth Jhin, será a próxima novela da faixa Edição Especial, em substituição a Terra Nostra (1999-2000), de Benedito Ruy Barbosa. A estreia está marcada para o dia 27.

Cartaz da faixa das 18h quando exibida originalmente, Além do Tempo marcou positivamente o público e sua história dividida em duas fases separadas por 150 anos deixou saudade. Lívia (Alinne Moraes), Felipe (Rafael Cardoso) e Melissa (Paolla Oliveira) formam o triângulo amoroso central, diretamente ligado aos conflitos de Vitória (Irene Ravache) e Emília (Ana Beatriz Nogueira).

Em tempos de Canal VIVA – ou Globoplay Novelas, como queira – reprisando cerca de 10 novelas, várias delas já reprisadas pela TV Globo até mais de uma vez, e com a própria emissora aberta recorrendo menos a repetecos “inéditos”, a volta de Além do Tempo traz certo frescor à programação, em que pese o fato de que o canal pago exibiu a novela no segundo semestre de 2025.

No entanto, na TV Globo a história ainda não foi reprisada, tampouco a faixa Edição Especial apresentou em seus pouco mais de quatro anos no ar alguma produção que a emissora não tivesse ainda reapresentado.

Apenas para lembrar, desde dezembro de 2021, O Cravo e a Rosa (2000-01), Chocolate Com Pimenta (2003-04), Mulheres de Areia (1993), Cheias de Charme (2012), Cabocla (2004) e História de Amor (1995-96) foram ao ar no horário, antes da atual atração, Terra Nostra. Todas já haviam sido reprisadas ao menos uma vez pela TV Globo, desconsiderado o VIVA.

A escolha de Além do Tempo pode ser saudada como uma oportunidade que a emissora dá para a criação de “novos clássicos”, por assim dizer, novelas que com reprises e reencontros no decorrer do tempo fortalecem sua posição de ícones de qualidade e simbolismo da boa teledramaturgia, presentes no coração dos fãs do gênero.

Sem que esse movimento ocorra, cada vez mais a TV Globo – e todas as emissoras, por extensão – ficam reféns de uma determinada seleção de títulos tidos como clássicos e “infalíveis”, mas que por um motivo ou outro podem não corresponder sempre às expectativas de audiência. A ciranda de novelas entre TV Globo e Globoplay Novelas, mais o catálogo do Globoplay no streaming, aumenta a sensação de repetição e exaustão.

Mas de nada adianta a emissora se resolver a dar chance a novelas ainda não reapresentadas, e mais recentes do que a média dos últimos tempos, se o público do horário eventualmente não corresponder a essas apostas e com isso houver ibope muito abaixo do desejado.

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