Clássico de volta

Vem aí Rainha da Sucata, novela que tem tudo para dar certo no Vale a Pena Ver de Novo

Com texto de Silvio de Abreu e direção de Jorge Fernando, produção foi ao ar em 1990 e prossegue com as comemorações de 60 anos da TV Globo

Publicado em 27/10/2025

A escolha de Rainha da Sucata para o Vale a Pena Ver de Novo surpreendeu muita gente. Mesmo numa sequência que começou com Tieta (1989-90) e teve prosseguimento com A Viagem (1994), a novela de Silvio de Abreu surpreendeu por seus 35 anos desde a estreia, em abril de 1990, ainda que estejamos em meio às comemorações dos 60 anos da TV Globo.

A despeito de seu enorme sucesso, que a consolida entre as novelas mais vistas da história da emissora, Rainha da Sucata teve até aqui apenas duas reprises. A primeira foi em 1994, no mesmo Vale a Pena Ver de Novo, e a outra em 2013, no Canal VIVA, hoje Globoplay Novelas. A reestreia está prevista para a segunda-feira que vem, 3 de novembro.

Com direção-geral de Jorge Fernando e ambientada em São Paulo, a história retrata o universo dos novos-ricos e da decadente elite paulista, explorando o contraste e a tensão entre a emergente Maria do Carmo, interpretada por Regina Duarte, e a socialite falida Laurinha Figueroa, vivida por Glória Menezes.

Na zona norte da capital paulista, Maria do Carmo enriquece com os negócios do pai, o vendedor de ferro-velho Onofre (Lima Duarte), e se torna uma empresária bem-sucedida. Apesar de manter hábitos simples, seu grande sonho é conquistar a alta sociedade paulistana.

Quando seu caminho volta a cruzar com o de Edu (Tony Ramos), um playboy que a humilhava no colégio e agora enfrenta a falência ao lado da tradicional família Albuquerque Figueroa, Maria do Carmo vê a oportunidade de se vingar e, ao mesmo tempo, adentrar na elite.

Para isso, propõe a ele um casamento de conveniência: ela tem o dinheiro para bancar a família que está na ruína, enquanto ele tem um nome respeitado pela sociedade. Logo, Maria passa a viver no casarão dos Figueroa, nos Jardins, um dos bairros mais sofisticados da cidade. Mas o que parecia ser sua grande ascensão se revela uma realidade penosa.

Na mansão, a elegante e ardilosa Laurinha, madrasta de Edu, persegue e menospreza Maria do Carmo, tornando sua vida um inferno. Casada com Betinho (Paulo Gracindo), a megera nutre uma paixão secreta e proibida pelo enteado e faz de tudo para destruir o casamento e arruinar a nova vida da “sucateira”.

Além das dificuldades em casa, a empresária enfrenta problemas nos negócios quando Renato Maia (Daniel Filho), administrador em quem confiava plenamente, começa a aplicar golpes em seus empreendimentos. Dona de uma personalidade forte, Maria percorre um árduo caminho para conquistar seu espaço na high society.

Mesclando histórias dramáticas e tons de comédia, a novela apresentou duas personagens femininas em contraponto, consagrando Maria do Carmo como uma das mocinhas mais memoráveis da TV e inserindo Laurinha Figueroa no grupo das vilãs mais marcantes da dramaturgia nacional.

Além de Regina Duarte e Glória Menezes, a trama reúne um elenco estelar com nomes como Tony Ramos, Antônio Fagundes, Paulo Gracindo, Cleyde Yaconis, Daniel Filho, Renata Sorrah, Raul Cortez, Aracy Balabanian, Nicette Bruno, Claudia Raia, Marisa Orth, Andrea Beltrão e Patrícia Pillar em papéis de destaque.

Entre as diversas participações especiais que abrilhantam mais ainda o elenco da história, temos Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Laura Cardoso, Marília Pêra, Carlos Zara, Neuza Amaral, Jorge Dória, Rosita Thomaz Lopes, Ilka Soares, Milton Moraes, Emiliano Queiroz e Stênio Garcia.

Além de se tornar uma das tramas de maior êxito da televisão brasileira, Rainha da Sucata deixou sua marca na cultura popular dos anos 1990.

As roupas extravagantes da personagem principal viraram tendência na época e, entre os acessórios mais desejados pelas mulheres, estavam os chapéus, os laçarotes para os cabelos e as bolsas com alças de corrente. Outro símbolo marcante da protagonista era a mesa de seu escritório, feita com a parte frontal de um Chevrolet 1958, representando não apenas seus empreendimentos, mas também suas origens.

Toda a singularidade da obra se revela desde a abertura dos capítulos: ao som de ‘Me Chama que Eu Vou’, de Sidney Magal, uma boneca de sucata – confeccionada com baldes, molas, um ventilador, um ferro e uma tábua de passar roupas – dançava lambada com dançarinos reais. A canção se tornou um hit e foi uma das responsáveis pela consagração da lambada no país.

Com personagens lembrados até hoje, um elenco de estrelas e a nostalgia de bons tempos da teledramaturgia brasileira, Rainha da Sucata pode fazer bonito no fim da tarde da TV Globo. São ingredientes semelhantes aos de outros clássicos que têm reencontrado o público da TV aberta, mesmo “manjados” na TV paga e no streaming do grupo.

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