Em Vale Tudo, exibida em 1988, Cláudio Corrêa e Castro viveu o jornalista Bartolomeu Meireles, pai de Ivan (Antonio Fagundes), que se deparava com o conflito entre a modernidade que chegava à profissão e os métodos aos quais se habituara toda a vida. A nova versão, que estreia no dia 31 na TV Globo, traz Luís Melo no papel.
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Quase 36 anos depois da primeira versão, a abordagem de temas como desemprego e dificuldades de inserção no mercado de trabalho para quem não é mais jovem passa por algumas modificações para adequação, sem perder a essência do personagem. O foco no etarismo é uma delas, como esclarecido por Luís Melo à jornalista Márcia Pereira, do portal F5.
“Eu sempre defendo uma coisa que tenho comigo de observação: o homem, quando passa por uma situação de desemprego e dificuldade de recolocação no mercado de trabalho, ele deprime. A mulher, não. A mulher vai buscar alternativas. Ela vai tentar retomar sua profissão, vai costurar para fora. Enfim, vai dar um jeito”, declara o artista.
Com o jornalismo dominado pela tecnologia, práticas adequadas a hábitos de um novo público e postagens disseminadas pelas redes sociais, Bartolomeu se vê desemprego e sem perspectiva de recolocação no mercado, em razão da idade avançada. Melo reforça que esse elemento tem a ver com a forma como a sociedade enxerga os mais velhos como impedidos de exercer sua função.
Para o veterano, os profissionais de mais idade enfrentam dificuldades no mercado de trabalho e na sociedade como um todo, obcecada pela juventude e pela inovação. “Eu acho muito interessante ser abordado assim, porque, particularmente, minha vida inteira eu aprendi muito com os jovens, e essa troca também é muito rica.” E prossegue: “Os jovens têm sido uma grande fonte de aprendizado para mim”.
“A relação do Bartolomeu com a família também é muito interessante”, adianta Melo. Pai de Ivan (Renato Góes), o jornalista é casado com Eunice (Edvana Carvalho), com quem vive há mais de 10 anos, e trata a enteada Fernanda (Ramille) como se filha fosse. Profissional da velha guarda, ele é do tipo que sempre tem bons conselhos a dar e em quem todos confiam.
Luís Melo ressalta a importância do legado de Cláudio Corrêa e Castro, o primeiro Bartolomeu, em sua formação artística: “Ele teve uma grande importância na minha formação. Foi ele quem criou o curso permanente de teatro da Fundação Guaíra, onde me formei, em Curitiba”.
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