Atração da faixa das 19h da TV Globo, a novela Cara e Coragem, de Cláudia Souto, estreou em 30 de maio em substituição a Quanto Mais Vida, Melhor!, de Mauro Wilson, esta de produção tumultuada pela pandemia de covid-19, que atrapalhou sua produção e adiou sua estreia em um ano e meio.
Veja também:
Elementos da história criada por Cláudia têm potencial de atrair um público jovem que se interessa por ação e aventura.
Além do suspense que envolve a empresária Clarice Gusmão (Taís Araújo) e sua morte misteriosa – que se revela forjada, como já acompanhamos há algumas semanas -, o dia a dia dos dublês de audiovisual, através de Pat (Paolla Oliveira) e Moa (Marcelo Serrado), é um desses elementos.
Levando em conta fatores como esse foi que a TV Globo resolveu ampliar mais ainda a exibição de programas de produção nacional em sua grade, abrindo para Cara e Coragem um horário alternativo, logo após o Conversa Com Bial de segunda a sexta-feira e depois do Supercine aos sábados.
Pesquisas da emissora indicaram que o público dos filmes de ação das madrugadas poderiam se interessar pela novela. Parece que isso se comprovou, com os bons índices registrados pela atração às 2h ou mais, quando seus capítulos são reprisados.
No entanto, em seu horário principal Cara e Coragem nunca decolou propriamente. Sua audiência está em torno de 20 pontos, o mesmo que Mar do Sertão, de Mário Teixeira, registra uma hora antes. Sem falar no Vale a Pena Ver de Novo, que pode chegar a índices semelhantes.
Claro que a existência do horário alternativo facilita que telespectadores interessados na novela possam acompanhá-la sem que sejam assinantes do Globoplay, caso a madrugada lhes seja uma faixa conveniente. Assim como fãs inveterados podem ver o mesmo capítulo duas vezes na mesma noite, sem que o tenham gravado ou assinem o serviço de streaming da Globo.
Só que apenas isso não explica o ibope em torno de 6 pontos que Cara e Coragem alcança em plena madrugada – na Grande São Paulo, esse índice equivale a algo em torno de 450 mil domicílios, ou mais de 1,2 milhão de pessoas. Há muitos programas diurnos, quando o universo de televisores ligados é bem maior, que não registram a mesma coisa.
O que nos leva a supor que, talvez, Cara e Coragem fosse melhor para os padrões da faixa das 19h caso não tivesse a exibição alternativa nas madrugadas. Meses atrás, aqui neste mesmo Observatório da TV, escrevi a respeito, e dizia eu na ocasião que se tratava provavelmente de um teste da TV Globo.
“Sabendo que o brasileiro ama novelas e que, na madrugada, temos parte do público acordado – os jovens representam um terço dos televisores ligados na TV Globo neste horário –, a emissora passa a oferecer um horário alternativo para que todos possam embarcar nas tramas dos dublês, praticantes de parkour e dança vertical, além de muita história de amor, encontros, desencontros e humor”, divulgou a emissora em nota na época.
A faixa da madrugada tem sido digna de mais atenção das emissoras de TV nos últimos tempos. Sua audiência deixou de ser desprezível, diante de mudanças na rotina dos espectadores que os levam a ter tempo livre para ver TV altas horas.
Nos anos 1980 e 1990, o SBT exibiu várias de suas novelas, tanto brasileiras quanto estrangeiras dubladas, mais de uma vez por noite. A ideia era a mesma, dar ao espectador uma chance a mais de conferir o que a emissora oferecia no gênero.
Mas o horário alternativo era uma hora depois, em geral, não já de madrugada, e não comprometia o ibope das produções, o que fazia com que fossem “somados” por Silvio Santos os números dos dois horários para atestar se as novelas davam certo.
Ainda não se sabe se Vai na Fé, de Rosane Svartman, a substituta de Cara e Coragem, vai ter também o horário alternativo lá pelas duas da manhã. Se a teoria de que a novela de Cláudia Souto poderia ir melhor às 19h sem reprise horas mais tarde for válida, talvez não tenha. Mas isso não deve ser visto como uma retirada de atrações nacionais da madrugada, caso ocorra.
As informações e opiniões expressas nesta crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.
O conteúdo veiculado nesta coluna é de total responsabilidade do colunista parceiro. As opiniões e informações aqui expressas não são de responsabilidade do Grupo Observatório.
