Em entrevista à Coluna Play, de O Globo, publicada neste domingo (26), Paulo Silvestrini falou sobre os trabalhos da nova versão de Vale Tudo, da qual é diretor artístico – estreando na faixa das 21h da TV Globo. Escrita por Manuela Dias, a novela deve começar em 31 de março, em substituição a Mania de Você.
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Paulo diz que “considera bom” ser influenciado pelo original, de cujos personagens declara ter lembranças, e declara que o diretor da versão de 1988, Dennis Carvalho, é “seu herói” e “um dos inventores da teledramaturgia moderna”. “Mas claro que cada um tem seu repertório, sua visão de mundo e aquilo que deseja comunicar”, esclarece.
Como Vale Tudo é uma novela muito querida pelo público, uma das mais representativas do gênero, o diretor não se furta a garantir que o remake vale a pena.
“Minha ideia é fazer para todo mundo, para quem viu ou não. Entendo que querem assistir a Vale Tudo, e a essência dela vai estar ali. A gente teve que acomodar as transformações, incluindo as tecnológicas. E a discussão de questões que a novela propunha evoluiu. Hoje ressignificamos e aprendemos muita coisa. Acatamos as mudanças desejosos de ter uma obra contemporânea, mas a história estará na íntegra.”
Mesmo quem nunca assistiu a Vale Tudo conhece a personagem Odete Roitman, imortalizada na criação de Beatriz Segall, vítima de um dos “quem matou?” mais célebres da nossa TV e muito recorrente em memes na internet. A escolhida para vivê-la agora foi Débora Bloch, que segundo o diretor sempre foi um dos nomes considerados. Ele também comenta o desafio da escalação do novo elenco.
“Sempre foi uma delas. Houve uma oportunidade para a Fernanda. Estamos orgulhosos. A Débora foi acolhida desde o primeiro minuto. Estamos absolutamente confiantes no trabalho que fará. Penso em escalação como um mosaico. Cada peça tem sua forma e determina como o todo vai se dar. Sobre todos os personagens houve um esforço de acomodação das nossas expectativas e das que a gente entende que são do público. Eu e Manu [Manuela Dias] discutimos tudo exaustivamente. Todos são importantes e marcantes. Não dá para errar. O difícil era escalar a novela, e não alguém em particular.”
“Sinto mais torcida que pressão”, disse Paulo Silvestrini sobre a realização da nova Vale Tudo. “Vejo um desejo de todo mundo de que a produção seja bem-sucedida. Grandes histórias merecem ser recontadas. Falar bem ou falar mal é uma maneira de se relacionar com a obra. Importante é que o público torça junto, concorde, discorde. Não vejo como pressão, mas como participação”.
A história trata de honestidade no Brasil, a partir do embate de uma mãe muito honesta e uma filha sem caráter. Mesmo com a polarização política acentuada nos últimos anos no País, e mesmo no mundo, o diretor afirma que “A intenção não é fazer política, e sim novela. O desejo é que a sociedade discuta questões caras a ela com o maior repertório possível. A trama repercute pontos que estão na pauta. Este é o barato de fazer dramaturgia no Brasil: quando assistimos a uma obra, temos a sensação de pertencimento. O brasileiro vai enxergar o país e vai se ver ali. É nossa maior pretensão em termos de mensagem”.
Entre algumas das mudanças promovidas na nova versão, o alcoolismo de Heleninha (Paolla Oliveira) é um dos elementos atingidos, dada a mudança de visão do problema em quase 40 anos. “A gente não usa mais a palavra ‘alcoólatra’, hoje é ‘alcoolista’. A pessoa é vítima de uma condição impeditiva de lidar com a vida de forma saudável. É no lidar com essa condição que acomodaremos Heleninha. As cenas estarão lá, mas a forma como reagimos a elas é diferente. Em hipótese alguma é tratado como engraçado”.
Ainda sobre Heleninha, Paulo Silvestrini falou sobre como se deu a escolha de Paolla Oliveira para interpretar a personagem: “A Paolla fez uma leitura de Heleninha arrebatadora, que me emocionou. Foi uma decisão unânime. A Heleninha que ela construiu é de uma dimensão infinita, com profundas camadas de humanidade e sensibilidade. Tem mistério e sentimentos muito delicados e ao mesmo tempo tão potentes quanto a a personagem é capaz de oferecer”.
A escolha de Bella Campos para o papel de Maria de Fátima, vivido por Glória Pires na primeira versão, gerou muitos comentários negativos. Paulo afirmou que “o fato de já ter trabalhado com ela [em Vai na Fé, de 2023] permitiu uma aproximação grande. Temos cumplicidade e confiança. Isso talvez torne o resultado mais assertivo”. O diretor afirmou ainda que “quem escalou a Bella Campos foi a Maria de Fátima. O encontro das duas foi definitivo. Nos sentimos diante da personagem”.
Ainda no assunto escalação, Paulo Silvestini opinou sobre críticas: “Neste ofício, tenho 200 milhões de colegas. Brasileiro é especialista em novela. Contamos com a contribuição deles. Cada um tem seu entendimento. Claro que provocaria reações aqui e ali divergentes”. Quanto a possíveis participações de atores da versão original, o diretor foi taxativo: “Não. Eles estiveram naquela. Agora são novos intérpretes”.
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