caso sério

Especialista faz alerta para violência exposta na novela Três Graças: ‘Fica refém’

Após separação, Zenilda foi obrigada a sair de casa e expôs caso de violência patrimonial

Publicado em 12/02/2026

Exibida na faixa das 21h da TV Globo, a novela mostrou Zenilda (Andréia Horta) descobrindo a traição do marido e, logo em seguida, sendo confrontada por ele com um argumento duro: ele não sairia de casa porque o imóvel está no nome dele, assim como todos os bens do casal — sugerindo que ela é quem deveria deixar a residência.

A situação revolta Lorena (Alanis Guillen), filha do casal, que reage ao perceber o controle exercido pelo pai. A sequência chamou atenção do público ao escancarar uma forma de abuso que nem sempre é reconhecida de imediato: a violência patrimonial.

O que é violência patrimonial?

A prática é prevista na Lei Maria da Penha como uma das formas de violência doméstica. Ela ocorre quando há controle, retenção ou uso indevido de bens, dinheiro e documentos da mulher. Não se trata apenas da posse formal de um imóvel, mas de atitudes como:

  • impedir o acesso ao salário;
  • administrar sozinho os recursos da família;
  • esconder documentos;
  • vender patrimônio sem consentimento;
  • criar dívidas em nome da parceira.

Na cena da novela, o argumento de que a casa “está no nome dele” evidencia uma tentativa de usar o patrimônio como instrumento de poder. No entanto, mesmo que o imóvel esteja registrado em nome de apenas um dos cônjuges, o regime de bens do casamento pode garantir direitos à outra parte — algo que muitas mulheres desconhecem.

Especialista comenta o tema levantado pela novela

A repercussão da cena também mobilizou especialistas. Para a planejadora e educadora financeira Adriana Ricci, informação é um dos principais instrumentos de proteção.

“Quando a mulher entende como funciona o regime de bens, acompanha as finanças da casa e sabe quais são seus direitos, ela não fica refém de ameaças. Educação financeira traz clareza e fortalece a tomada de decisão”, afirma.

Segundo ela, a dependência financeira pode ampliar o medo e dificultar reações diante de situações abusivas.

“É fundamental que a mulher saiba quanto entra e quanto sai, tenha acesso às contas bancárias e participe das decisões sobre compra de imóveis, financiamentos e investimentos. Organização financeira é, antes de tudo, uma forma de defesa”, aponta Adriana Ricci.

Ferette (Murilo Benício) tenta negar o flagra com Arminda (Grazi Massafera), mas Zenilda (Andréia Horta) avança nos dois

A especialista ainda destaca uma situação bastante comum: quando apenas um dos parceiros administra as contas da casa.

“Outro caso bastante comum é quando apenas um dos parceiros administra as contas da casa, a mulher trabalha, mas o salário é depositado em uma conta conjunta controlada pelo companheiro, que decide sozinho como o dinheiro vai ser usado. Se ela não tem acesso aos extratos, não sabe quanto tem guardado nem quais dívidas existem, fica vulnerável”, explica.

“Em uma eventual separação, pode descobrir financiamentos feitos em seu nome ou perceber que não tem reserva nenhuma para recomeçar, então, de novo, informação e participação nas decisões financeiras reduzem esse risco”, finaliza Adriana, que tem mais de 25 anos de atuação no mercado financeiro.

Ficção que reflete a realidade

Ao abordar o tema em horário nobre, Três Graças amplia o debate para além da ficção. A trama mostra que a violência não se manifesta apenas de forma física ou verbal — ela também pode estar presente no controle financeiro e na manipulação patrimonial.

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