No dia 8 de setembro, o GNT lançou a série documental O Prazer é Meu, uma produção que promete aprofundar questões relacionadas ao prazer feminino, com um olhar sensível e envolvente sobre a história, a sexualidade, o gênero e a diversidade. A série, dirigida por Eliza Capai e narrada pela atriz Mariana Xavier, busca desmistificar tabus em torno do prazer das mulheres e pessoas com vulva, abordando temas como padrões de beleza, saúde mental, maternidade e a sobrecarga emocional imposta pela sociedade.
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Em entrevista ao Observatório da TV, a produtora Mariana Genescá, dona da produtora Amana Cine, responsável pela criação da série, destacou a importância do projeto. “Esse é o primeiro projeto que fazemos com essa temática. E estamos muito felizes! A Amana Cine realmente é uma produtora focada em projetos documentais com temáticas sociais. Nosso objetivo é trabalhar com narrativas originais que abordem temas sensíveis, apostando no audiovisual como potente ferramenta de reflexão e inclusão social. Esse é um tema que ainda é considerado tabu, né? E se é tabu é porque tem poder, como aprendi com a Juliana Notari, artista visual incrível, que participou da série. Mas o fato é que, em pleno século XXI, a gente está ainda precisando brigar por espaço para falar sobre educação sexual, sobre sobrecarga mental das mulheres, com jornadas duplas, triplas… sobre violência de gênero, violências obstétricas. São tantas questões que atravessam esse tema, para além do prazer sexual em si, que nos mostram que precisamos ainda de muito espaço pra falar disso“.

Eliza Capai diretora e idealizadora da série comentou que O Prazer é Meu surgiu durante processo de redescobrimento pessoal, após uma experiência difícil e destacou como tudo isso influenciou o desenvolver da produção. “Influenciou diretamente, pois ao surgir dessa situação difícil, de buscar uma reconexão pessoal, com o pulsar da vida, essa busca se deu em todas as etapas da série. Acho que primeiro, na forma como trabalhamos em equipe de muita escuta e no compartilhamento de nossas experiências pessoais para entender os próprios corpos, as leituras e aprendizados externos que estávamos tendo. Boa parte da equipe saiu pulsando muito mais e reconectada com o próprio prazer. Isso influenciou em todo o processo e no pensar da série. Desde o início foi desejado que ela fosse prazerosa de assitir, embora que seja temas complexos e duros, mas que houvesse humor para aceitar e entender, além de uma estética bonita através da direção de arte e fotografia e um trilha sonora. Tudo estava presente como um objetivo e fico feliz que conseguimos fazer nos campos de relacionamentos pessoais, quanto no conteúdo”.
A série aborda o prazer feminino incluindo questões de gênero, classe e raça. Eliza falou também sobre como garantiu que essas diversas vozes fossem representadas de forma autêntica. “Não fui eu e sim nós, que pensamos na diversidade cominando na série em si. Essa preocupação veio por uma constatação primária que na sociedade quem recebe o privilégio de ter prazer, são corpos brancos, magros e héteros. Partindo desse tratamento, buscando romper isso e buscar corpos não padrões, que é a maioria da população. É uma representação do Brasil de cor, tamanho, formatos de corpos, classes sociais e ecônomicas. Tivemos muita escutada para entender qual violência sofrida que dificultaram a atingir o prazer e os conhecimentos que cada uma traria. A partir disso é que traz essa autencidade, pois havia curiosidade de entender isso.
Por fim, Mariana Genescá, revelou os próximos trabalhos da Amana Cine. “Estamos finalizando dois projetos que serão lançados entre o final deste ano e o início do próximo: o longa Pau d’Arco, da diretora Ana Aranha, que é uma coprodução da Amana com a Repórter Brasil e o curta Cartas pela Paz, dirigido pela Thays Acaiabe, Mariana Reade e Patrick Zeiger. Os dois projetos são bem diferentes entre si, mas tem em comum tratarem de temas muito sensíveis e urgentes: O Pau d’Arco, vai falar do assassinato de trabalhadores rurais em uma ocupação na Amazônia e o Cartas pela Paz, vai mostrar a visão de crianças moradoras de favelas do Rio, que convivem diariamente com o medo da morte, virando alvo de “balas perdidas” durante operações policiais. Além disso, terminamos agora as filmagens do longa As Novas Severinas, coprodução da Amana com a Globo Filmes e GloboNews. Este é um projeto muito especial e muito sonhado da diretora Eliza Capai, com quem fizemos nossos últimos filmes, Incompatível com a vida (2023) e Espero tua (Re)volta (2019). Este projeto tem o lançamento previsto para 2026”.
A série será exibida semanalmente aos domingos, às 23h, no GNT, e também estará disponível no Globoplay +canais.
Confira com exclusividade corte exclusivo do último episódio da série, que discute um pouco sobre a não monogamia.
