Funcionária doente desabafa após demissão do SBT: “Eles disseram que o SBT não era responsável pelo meu câncer”

Publicado em 07/01/2025

A reestruturação do SBT continua a todo vapor em 2025. A emissora comandada por Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos, demitiu cerca de 400 funcionários ao longo do ano de 2024 e continua demitindo nos primeiros dias de 2025.

Uma das funcionárias que deixou a emissora está em tratamento contra um câncer no cérebro e até fez um apelo para continuar na empresa –mas não deu certo. “Com o Silvio Santos não era assim”, ela se queixou.

Em entrevista ao site Notícias da TV, a demitida afirmou que contatou o Sindicato dos Jornalistas e o seu advogado para buscar ajuda. Ela havia sido contratada pelo SBT em 2017 e faz um tratamento contínuo de câncer com medicação oral desde 2019. Segundo a ex-funcionária, a emissora permitiu que ela ficasse com o convênio ativo durante mais seis meses, o que gerou revolta.

“Eles disseram que o SBT não era responsável pelo meu câncer. Só que eu trabalho no SBT desde 2017, e meu câncer no cérebro apareceu em 2019. Eles disseram que não é problema deles. Depois disso, vão tentar ver se podem fazer algum acordo para eu pagar e continuar com ele por mais dois anos”, declarou a funcionária, que pediu para não ser identificada.

“Saí de lá chocada, apavorada. Nós sabíamos que haveria uma reestruturação desde que o Cipoloni chegou”, acrescentou ela, em referência à contratação do ex-Record Leandro Cipoloni como novo diretor nacional do setor, em dezembro. O clima na produção do SBT Brasil, área em que a funcionária trabalhou, não é dos melhores. “Eles andam gritando no switcher, coisa que nunca aconteceu antes. O clima é de muita tristeza e de muita tensão.”

“Eles não se comoveram. Com o Silvio [Santos] não era assim. Eu pedi para me deixar só com o convênio, e eu trabalharia, mas não quiseram saber. A ordem é: custa muito caro para a emissora, mandem embora”, confidenciou.

A ex-produtora do telejornal SBT Brasil pontuou que já teve passagens por outras emissoras, inclusive a Record –antiga empresa do atual diretor nacional de Jornalismo do SBT. Ela nunca havia enfrentado uma represália tão grande como nos últimos meses de trabalho na emissora dos Abravanel.

“Eles estão querendo colocar esse esquema de terror no SBT, e o SBT nunca foi assim, nunca teve isso. Minha demissão não é ilegal, mas é imoral. Eu nunca vi nada igual. Eles mandaram embora também uma menina que o irmão dela está em estágio terminal de câncer”, concluiu ela.

A reportagem questionou o SBT sobre a demissão da funcionária com um câncer no cérebro, mas a emissora não retornou as solicitações até a publicação deste texto. Já Daniela Beyruti postou no Instagram: “Não estou sabendo disso. Vou investigar”.

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