Em Três Graças, o arco de redenção de Jorginho não encontra catarse nem absolvição. Encontra a morte. A execução com uma injeção letal aplicada por Samira é conduzida sem trilha de heroísmo, sem último suspiro edificante. É uma cena árida, quase clínica. O ex-traficante que ensaiava uma curva moral ascendente é reduzido à crueza do gesto final, como se a novela lembrasse ao público que, ali, redenção é artigo raro.
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O pós-crime reforça a tese. Edilberto não titubeia. Assume a logística do descarte com eficiência burocrática, enrola o corpo em um cobertor gasto e determina o ponto da desova com a objetividade de quem cumpre protocolo. Não há arroubo dramático. Há método. A violência não grita, ela opera.
A escolha do endereço tampouco é aleatória. Deixar o corpo na porta da igreja do pastor Albérico é um ato simbólico, quase performático. A morte vira recado. A madrugada funciona como cúmplice silenciosa de uma estratégia que entende o valor da imagem e do escândalo ao amanhecer.
Quando o cadáver é encontrado pelos fiéis, Três Graças atravessa uma linha narrativa sem volta. A indignação coletiva substitui qualquer resquício de romantização do submundo. A novela assume, com desconforto calculado, sua face mais sombria e politicamente incômoda, recusando a facilidade do perdão e apostando no impacto.
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