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Três Graças consagra o retorno de Aguinaldo Silva e já entra na lista das melhores da década

Autor prova que ainda tem a chave do público popular e transforma a novela das nove em fenômeno

Publicado em 12/02/2026

Há algo de raro em ver um autor voltar ao horário nobre depois de um hiato e, em vez de nostalgia, entregar vigor. Aguinaldo Silva retorna à Globo com Três Graças e reafirma por que é tratado como um dos últimos grandes arquitetos da novela popular brasileira. Em tempos de narrativas fragmentadas e excesso de tese, ele escolhe contar história. E contar bem. A trama das três gerações de mulheres grávidas, sozinhas e atravessadas por desigualdades, pulsa com melodrama clássico, mas sem cheiro de mofo.

O êxito não se mede apenas nos números, ainda que eles falem alto. Ao alcançar o capítulo 100 com fôlego e engajamento nas redes, Três Graças já é apontada como uma das melhores novelas da década. O feito não é trivial. Em um cenário de audiência pulverizada, Silva mostra que ainda domina o ritmo folhetinesco, o gancho preciso, o personagem que parece maior que a vida e, ao mesmo tempo, íntimo do espectador.

Poucos sabem escrever para o público popular sem subestimá-lo. Aguinaldo tem a manha. Sua escrita é direta, mas nunca simplória. Ele compreende que novela é emoção compartilhada, é conversa de esquina, é catarse doméstica. Constrói vilões com tintas fortes, heroínas com espinha dorsal e diálogos que soam como fala viva. Há exagero? Sempre houve. Mas é um exagero consciente, parte do pacto que ele estabelece com quem assiste.

Longe de pensar em aposentadoria, o autor já projeta novos trabalhos após a substituição da novela por Quem Ama Cuida. E ainda lançou suas memórias, revisitando a própria trajetória no jornalismo e na teledramaturgia. Aguinaldo Silva está novamente em alta porque entende o que muitos esqueceram: novela é arte industrial, mas também é pulsação popular. E quando essas duas forças se encontram, o resultado costuma ser histórico.

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