A força de uma novela das nove muitas vezes aparece quando o folhetim tira da sala de estar aquilo que muita gente prefere manter escondido. Em Quem Ama Cuida, esse movimento surge no conflito entre afeto e preconceito dentro da própria família. A trama da Globo coloca no centro da discussão um personagem que ama, protege e se preocupa, mas ainda carrega uma visão rígida demais para compreender plenamente quem está ao seu lado.
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Otoniel (Tony Ramos) é um homem conservador, aposentado e marcado por certezas que nem sempre cabem na vida real. Na novela, ele enfrenta dificuldade para aceitar a sexualidade do neto Mau Mau (João Victor Gonçalves), mesmo nutrindo amor por ele. Em entrevista ao portal F5, da Folha de S.Paulo, Tony fez questão de deixar claro que não se confunde com o personagem. O ator afirmou que Otoniel não tem nada a ver com ele e explicou que, enquanto tenta observar as pessoas sem julgá-las, o personagem muitas vezes impõe a própria verdade.
A fala do veterano ajuda a iluminar um dos pontos mais importantes de Quem Ama Cuida. Para Tony, a novela abre espaço para discutir intolerância, preconceito e pré-julgamento. O ator destacou que Otoniel ama o neto, mas não entende plenamente sua alegria e suas escolhas. Esse é justamente o ponto dramático mais forte do personagem: o afeto existe, mas vem atravessado por uma dificuldade de aceitar o outro como ele é. E a novela transforma esse conflito em tema público, capítulo após capítulo.
Tony Ramos também ampliou a reflexão ao dizer que a intolerância não pertence apenas às gerações mais velhas. Segundo ele, jovens também podem reagir com agressividade diante daquilo que não querem compreender. Ao comentar o debate religioso, o ator reforçou que Cristo foi uma figura de tolerância, afeto e acolhimento, e que respeitar o outro não significa ser igual a ele. Com Otoniel, Quem Ama Cuida coloca a dramaturgia a serviço de uma discussão urgente: amar alguém não basta quando esse amor ainda tenta controlar, corrigir ou diminuir a verdade do outro.
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